O deputado André Ventura, do Chega, questionou o Governo sobre os motivos invocados por Espanha para justificar as medidas de controlo fronteiriço devido à Covid-19 anunciadas esta segunda-feira e quer saber se Portugal vai fazer as mesmas exigências.

Espanha passou a exigir, desde esta segunda-feira, a quem viajar de Portugal por via terrestre, um teste negativo à Covid-19, certificado de vacinação ou de recuperação da doença, segundo o Consulado Geral de Espanha em Portugal.

Dirigindo-se ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, o deputado único do Chega quer saber se a decisão comunicada por Espanha foi acertada com o Governo português.

André Ventura questionou também os dois ministros sobre “os motivos invocados pelo Governo espanhol para sustentar tal decisão” e se da parte de Portugal se vai verificar uma “reciprocidade de procedimentos”.

O Governo já reagiu, entretanto, ameaçando mesmo com medidas de retaliação caso Espanha não corrija a situação, que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, diz só poder tratar-se de um “erro”.

Santos Silva diz que decisão de Espanha foi um “erro” e ameaça com retaliação

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“O nosso país parece uma vez mais ser apanhado literalmente desprevenido por autoridades estrangeiras, circunstância que desprestigia Portugal e os portugueses e que parece merecer, da parte do executivo português, um incompreensível silêncio e/ou desconhecimento da realidade que nos rodeia”, frisou o deputado do Chega, numa nota divulgada esta segunda-feira.

Covid-19. Presidente da República acha “muito estranho” que Espanha exija teste negativo na fronteira terrestre

Além da decisão do Governo espanhol, André Ventura recordou a retirada de Portugal dos destinos considerados seguros pelo Reino Unido salientou que a situação “mais se parece assemelhar a um verdadeiro boicote ao povo português” e exige aos governantes “esclarecimentos cabais e medidas proporcionais”.

O líder do Chega considerou que, além do “desprestígio ao país, estas decisões representam também uma realidade muito preocupante para a retoma da economia nacional, que se afigurava menos negativa com a chegada do verão”.

A medida já se aplicava a quem viajava de Portugal para Espanha pelas vias marítimas ou aéreas, sendo a partir desta segunda-feira obrigatória para quem cruzar a fronteira terrestre.

“A partir de 7 de junho todas as pessoas com mais de seis anos que cruzem a fronteira terrestre entre Portugal devem dispor de alguma das certificações sanitárias exigidas a todos os passageiros que entrem em Espanha por via aérea e marítima”, refere o Consulado Geral de Espanha em Portugal, na sua página da Internet.

As certificações passam pelo teste de diagnóstico à Covid-19 negativo (feito nas 48 horas anteriores), que pode ser PCR ou antigénio, certificado de vacinação ou de recuperação da doença.

O Consulado Geral de Espanha em Portugal acrescenta que Portugal está agora incluído na “lista de países ou zonas de risco”.

As fronteiras terrestres entre Portugal e Espanha estiveram fechadas entre 31 de janeiro e 30 de abril devido à pandemia provocada pela Covid-19 e apenas era permitida a passagem, em 18 pontos autorizados, ao transporte internacional de mercadorias, trabalhadores transfronteiriços e de caráter sazonal devidamente documentados, veículos de emergência, socorro e serviço de urgência.

A Espanha abriu esta segunda-feira as suas fronteiras a todos os viajantes vacinados contra a Covid-19, na esperança de relançar o turismo, um setor chave para a sua economia que foi arrasado pela pandemia.