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A Embaixada da Rússia em Portugal reagiu à polémica sobre o envio de dados pessoais de manifestantes anti-Putin às autoridades russas pela Câmara Municipal de Lisboa (CML). “A senhora ‘ativista’ pode voltar tranquilamente para casa”, escreve a entidade na sua página oficial de Facebook, dizendo que os ativistas envolvidos têm uma “imaginação malsã [mal intencionada]”.

A publicação na íntegra que a página oficial da Embaixada da Rússia em Portugal fez

Na mesma nota, escrita em russso e português, a representação diplomática refere que reparou nas “notícias na comunicação social portuguesa sobre a alegada entrega não-autorizada ‘à Embaixada russa em Portugal, mas também para Moscovo’ dos dados pessoais de um grupo de pessoas residentes no país”. Sobre o caso, a Embaixada elogia o trabalho das “autoridades portuguesas” relativamente ao “processamento dos dados pessoais”, adiantando que conhece bem a “abordagem muito rigorosa” que é feita.

Já quanto às preocupações manifestadas por ativistas que viram os seus dados pessoais comprometidos, as palavras são menos brandas: “Quanto à excitação em causa, está sem dúvida alimentada pelo desejo dos tais ativistas de atrair atenção mediática a si próprios através da politização generalizada e provocações deploráveis”, refere este organismo da representação estrangeira da Federação Russa.

Não interessam nem à Embaixada em Lisboa, nem a Moscovo os tais indivíduos com imaginação malsã”, diz a Embaixada.

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Por fim, fica a mensagem: “Temos outras prioridades que constituem o trabalho construtivo em prol do desenvolvimento da cooperação russo-portuguesa”. “Assim, a senhora “ativista” pode voltar tranquilamente para casa”, refere a Embaixada.

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Como revelaram o Observador e o Expresso, a CML fez chegar por e-mail os nomes, as moradas e os contactos telefónicos de três manifestantes anti-Putin à Embaixada russa em Lisboa e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros daquele país.

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O caso remonta a janeiro de 2021, quando três cidadãos (dois deles com dupla nacionalidade, russa e portuguesa) organizaram uma manifestação contra o regime de Moscovo a propósito da detenção do ativista Alexei Navalny, numa ação que decorreu junto à Embaixada. Ao Observador, Ksenia Ashrafullina, uma das organizadoras da manifestação, confirmou o sucedido e disse que temia pela sua segurança. “Não sei se tranquilamente posso voltar ao meu país. Tenho medo. A papa está feita. Se atravessar a fronteira pode aparecer o meu nome… Tudo pode acontecer”, lamentou.