São imagens que na Europa não se veem desde que a Covid-19 chegou e encerrou estádios de futebol, numa primeira fase, ou restringiu-lhes a lotação, numa segunda. No Hungria-Portugal desta terça-feira, o Estádio Puskás-Arena, em Budapeste, encheu-se com 61 mil pessoas.
As fotografias — que pode ver clicando na imagem que está no topo do artigo — parecem de um mundo pré-Covid-19. Os adeptos estão maioritariamente sem máscaras, cuja utilização é “recomendada” mas não obrigatória no interior do estádio, e não há qualquer distanciamento social.
A explicação está, em parte, na fase de combate à pandemia em que a Hungria se encontra. Os últimos dados de esta segunda-feira, 14 de junho, apontava para que a Hungria estivesse com uma média de 14 casos diários de infeção por cada milhão de habitantes — o que sugere uma situação pandémica bem menos preocupante do que a que se verifica em Portugal, que no mesmo dia registava 70.6 casos de infeção por milhão de habitantes (cinco vezes mais).
Também o programa de vacinação está mais adiantado na Hungria, por comparação com Portugal. A 9 de junho, a Hungria tinha já aproximadamente 43% das pessoas totalmente vacinadas e 13% com uma primeira dose. No dia anterior, a Direção-Geral da Saúde divulgava dados atualizados da vacinação em Portugal: 23% das pessoas totalmente vacinadas e 39% com uma primeira dose.
Pela atual incidência e taxa de contágios pelo novo coronavírus na Hungria, mas também por políticas declaradamente menos restritivas no combate às infeções adotadas pelo regime de Viktor Orbán, o Estádio Puskás-Arena é o único do Europeu que terá lotação máxima de espectadores: 61 mil adeptos. E neste caso não terá fico um bilhete para vender.
Puskas Arena, Budapest is the only stadium to have 100% fan attendance allowed at Euro 2020 & the Hungary fans haven’t left any seat empty against Portugal at the stadium I guess.#EURO2020 #HUNPOR pic.twitter.com/r93gnccblU
— Celestial Football (@CelestialFutbal) June 15, 2021
A lotação dos outros estádios: de Wembley ao Estádio Olímpico de Roma
A situação será diferente nos outros estádios do Europeu. Na Johan Cruyff Arena, em Amesterdão, os jogos decorrerão com o estádio a 33% da sua capacidade máxima, embora ainda se admita um possível aumento da lotação. O estádio holandês tem capacidade para aproximadamente 55 mil pessoas e para já só está previsto receber um máximo de 16 mil espectadores por jogo.
No Estádio Olímpico, em Baku (Azerbeijão), a capacidade máxima é 68.700 pessoas mas a lotação estará restringida a 50% (34.350 pessoas). A Arena Națională, em Budapeste, pode receber em condições normais 55.600 pessoas mas nos jogos do Europeu só deverá receber cerca de 13 mil.
Em Copenhaga, o Estádio Parken pode receber até 38 mil pessoas mas estará a funcionar a 67% da lotação (aproximadamente 25.000 pessoas). E na Escócia, o Hampden Park, em Glasgow, funcionará apenas a 25% da capacidade máxima (aproximadamente 12 mil pessoas por jogo, das 51 mil que poderia receber noutro contexto).
O Estádio de Wembley, em Londres, vai acolher jogos com entre 22.500 pessoas e, a partir das semifinais e final, 45 mil pessoas — quando tem capacidade para 90 mil espectadores. A Allianz Arena, em Munique, receberá 14 mil espectadores por jogo, equivalente a 20% da capacidade total (70 mil). E em Itália, o Estádio Olímpico de Roma terá perto de 18 mil pessoas por jogo, funcionando assim com lotação a 25% (tal como Wembley, tem capacidade para 70 mil).
Em São Petersburgo, o Estádio Krestovsky receberá quase 35 mil por jogos, 50% da lotação total (é de 68 mil pessoas). E o Estádio La Cartuja, em Sevilha, receberá 18 mil espectadores (30% da lotação total) de uma capacidade máxima de 60 mil espectadores.