Alguns administradores do Banco Montepio (os não-executivos) ganham um salário 2,5 vezes superior aos seus homólogos na Caixa Geral de Depósitos, um banco cinco vezes maior e que teve quase 500 milhões de euros de lucro em 2020, ao passo que o Banco Montepio teve prejuízos de mais de 80 milhões. A crítica é feita pelo economista Eugénio Rosa, que é candidato numa lista às próximas eleições da mutualista que é dona do Banco Montepio.

O mesmo economista criticou recentemente a “falta de transparência” que considerava “imoral” porque o “Banco Montepio, contrariamente à CGD e mesmo ao BCP, não divulgava as remuneração dos seus administradores”. Entretanto, o Banco Montepio publicou um documento denominado “Relatório de Disciplina de Mercado de 2020”, “que antes não estava no seu site, onde na pág. 95 constam as remunerações dos administradores”, afirma Eugénio Rosa.

É aí que se fica a saber que um administrador não-executivo, por exemplo, ganha em remuneração fixa uma média de 9.000 euros por mês, 14 vezes por ano. É esse o salário dos administradores não-executivos Amadeu Ferreira de Paiva, José Nunes Pereira, Vítor Martins e Rui Heitor. Por seu lado, Manuel Ferreira Teixeira, também administrador não-executivo, ganha 11.400 euros por mês e um outro administrador, Pedro Gouveia Alves, ganha 6.000 euros mas acumula com o ordenado de presidente da participada Montepio Crédito – algo que Eugénio Rosa também critica porque na CGD, por exemplo, não se ganha por acumulação de funções.

Na CGD, os salários dos não-executivos são de 3.500 euros por mês.

No fim de dezembro de 2020, a CGD possuía um ativo de 91.375 milhões de euros, enquanto o Banco Montepio, na mesma data, o seu ativo era apenas 17.941 milhões de euros, ou seja, o Banco Montepio é cinco vezes mais pequeno do que a CGD, mas não em número de administradores”, critica Eugénio Rosa.

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O presidente do conselho de administração, que também é não executivo, é Carlos Tavares – ex-ministro da Economia e ex-presidente da CMVM. O seu salário é de 28.662 euros por mês, pagos 14 vezes ao ano, o que perfaz mais de 400 mil euros por cada exercício, “apesar de o banco acumular prejuízos e desde há 14 anos que não transfere dividendos para Associação Mutualista apesar da maior parte das poupanças dos associados (1.600 milhões de euros) estarem aplicadas no Banco Montepio”, critica o economista.

O salário de Carlos Tavares pode ser contrastado com Rui Vilar, que passou os últimos anos como presidente (não-executivo) da CGD e abdicou de qualquer remuneração, como aponta Eugénio Rosa no estudo que pode ser lido na íntegra aqui.

Montepio. Eugénio Rosa e Ana Drago em lista alternativa para a mutualista

No caso da comissão executiva, porém, os ordenados são um pouco mais baixos do que na CGD. “Os executivos ganham o correspondente a 78% dos da CGD”, calcula o economista, acrescentando que “o presidente da comissão executiva (Pedro Leitão) ganha 83,8% do da CGD (Paulo Macedo)”.

“Interessa ainda referir que Virgílio Lima, presidente do Conselho de Administração da Associação Mutualista e os seus administradores continuam a não divulgar as suas remunerações aos associados”, termina Eugénio Rosa, defendendo que “é urgente acabar com a falta de transparência que existe no Montepio e adequar as remunerações pagas aos administradores aos princípios da ética mutualista”. As eleições para a mutualista devem acontecer no próximo mês de dezembro.