O Banco Central Europeu (BCE) deu esta quarta-feira início à “fase de investigação” sobre o projeto do “euro digital“, que vem na sequência da fase de consulta pública que esteve em curso nos últimos meses. A partir de agora, e ao longo dos próximos dois anos, o BCE vai embarcar na “experimentação” para descobrir as tecnologias mais vantajosas que podem ser adotadas. Mas ficou, desde já, uma garantia: o euro digital será mais “amigo do ambiente” do que criptomoedas como a Bitcoin.

Já passaram nove meses desde que foi publicado o relatório preliminar feito pelo Banco Central Europeu sobre este projeto, um trabalho que “tem como objetivo assegurar que na era digital os cidadãos e as empresas continuam a ter acesso à forma mais segura de dinheiro, o dinheiro do banco central“, indicou Christine Lagarde, presidente do BCE, em comunicado de imprensa.

Uma vez mais, Lagarde sublinhou que “o euro digital não será algo que substituirá o dinheiro físico, apenas o complementar“.

O Observador analisou neste texto, em maior detalhe, as possíveis implicações desta iniciativa do banco central que gere o euro, à semelhança do que estão a fazer outros bancos centrais mundiais, pressionados pela inovação tecnológica que tem feito com que até empresas privadas, como o Facebook, tenham mostrado intenção de se afirmar nesta área – ao mesmo tempo que criptomoedas (ou, para alguns, criptoativos) como a Bitcoin ganharam uma popularidade cada vez maior.

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O BCE assinala que do trabalho feito até aqui já foi possível perceber que “não há obstáculos técnicos” a que venha a existir um euro digital. “Tanto o sistema TIPS [atualmente usado] como alternativas na área do Blockchain demonstraram ser capazes de executar mais de 40 mil transações por segundo”, diz o BCE, indicando que deverá ser “possível” conceber arquiteturas tecnológicas que juntam, em simultâneo, elementos centralizados e descentralizados.

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Em alusão à crítica feita por várias figuras, incluindo pelo multimilionário Elon Musk, de que a manutenção da rede da Bitcoin acarreta custos elevados do ponto de vista energético e ambiental, o BCE assegura: “A infraestrutura central do euro digital será amiga do ambiente; nas arquiteturas que foram testadas, a eletricidade usada para gerir dezenas de milhares de transações por segundo foi de uma quantidade negligenciável, quando comparada com o consumo energético de criptoativos como a Bitcoin”.

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