Dark Mode 132kWh poupados com o Asset 1
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Hoje é um bom dia para mudar os seus hábitos. Saiba mais

Logótipo da MEO Energia
i

Getty Images/iStockphoto

Getty Images/iStockphoto

Blockchain. Esta máquina do dinheiro vai ser maior do que a Internet?

É a tecnologia "decisiva" que está na base das trocas de valor virtuais. Para Dominik Heere, responsável pela estratégia tecnológica da multinacional SAP, a blockchain é a "matéria-prima do futuro".

É a “máquina da confiança”, a Internet do dinheiro, o protocolo que permite efetuar transações virtuais sem intermediário e que serve de base às cripto-moedas, sublinha Dominik Heere, vice-responsável da multinacional SAP pela estratégia de produtos e de inovação, ao Observador. Explicar a tecnologia blockchain e os impactos que pode ter na economia do futuro é uma caça cega às palavras. Mas uma caça sem medo. “Pela primeira vez, tens de confiar na tecnologia, que ela é segura”, acrescenta. É por isso que, para o responsável pela estratégia tecnológica da multinacional alemã líder no mercado de software e aplicações empresariais, o caminho da inovação se faz nesta direção, aquela em que a blockchain é “a matéria-prima do futuro”.

“O que vemos é que, no futuro, não vamos ter só pessoas ou organizações a trocarem valor entre si. Também vamos ter coisas inteligentes, como um carro autónomo, uma máquina de lavar ou assistentes virtuais digitais. Vamos ter uma nova economia na qual não existem apenas humanos e organizações” e que é suportada por esta tecnologia, explica Dominik numa conversa com o Observador em Orlando, nos Estados Unidos, a propósito do evento anual da SAP, que juntou 30 mil pessoas para discutir o rumo da inovação tecnológica. Sobre a blockchain, não tem dúvidas de que é uma rede global de confiança. “Aproveitem-na.”

SAP SE Norbert Steinhauser

Vários especialistas dizem que a tecnologia blockchain [estrutura de dados que permite fazer transações virtuais e que está na base das bitcoins] é decisiva e um game changer na indústria. Concorda?
Sim, acredito que sim. E também acredito que a transformação provocada pela blockchain [na sociedade] pode ser ainda maior do que aquela que foi provocada pela Internet.

Porquê?
Temos a Internet da informação há muito tempo, na qual podemos trocar e aceder a informação. Mas agora, com a blockchain, temos a Internet do valor ou a Internet do dinheiro. Acho provável que a próxima geração da Internet seja aquela onde é muito possível trocar ativos digitais entre pares, sem um intermediário pelo meio.

E quais são os benefícios de uma Internet dessas?
Há muitos mudanças de valor para a blockchain: aumenta a transparência dos processos, é mais eficiente, há mais simplificação, porque deixamos de ter de colocar os dados em sistemas diferentes e passamos a ter uma base de dados onde todas as organizações podem colocar dados e ter um olhar sobre eles. Isto é uma vantagem que pode ser utilizada em muitos e variados processos, em vários setores. Por exemplo, quando temos 20 empresas em 30 países, que estão a construir uma cadeia de distribuição, é muito difícil que troquem dados entre si, que se liguem a diferentes sistemas. Regra geral, fazem-no utilizando o fax ou API (interface de programação), mas com esta tecnologia podem simplificar os processos, tornando-os mais eficientes e mais transparentes. Acho que esta é a vantagem da blockchain.

"É uma tecnologia na qual podes, pela primeira vez, trocar ativos digitais entre pares sem um intermediário, sem um banco, uma empresa de crédito ou um governo"

Mas depois também existem fenómenos como o ciberataque com o vírus WannaCry, no qual os piratas informáticos pediram resgates às empresas em bitcoins. E a bitcoin só é possível porque existe a blockchain.
A blockchain é a tecnologia, o protocolo que está por detrás da bitcoin, que é uma cripto-moeda. As moedas encriptadas foram a primeira aplicação a ser desenvolvida em cima desta tecnologia e que possibilitou transferências entre pares sem um banco ou intermediário. Desde então, há uma blockchain pública, ou seja, podes fazer o download de uma carteira no teu telemóvel, e depois trocas euros por bitcoins. E és um pouco anónimo, ninguém sabe onde estás e tu não sabes onde está a outra pessoa. Óbvio que isto é uma forma de trocar dinheiro anónimo e que pode ser utilizada para diversas razões.

Na SAP, não olhamos muito para a parte pública desta tecnologia, que é onde se fazem estas operações com bitcoins. Estamos mais interessados no mundo das empresas. A bitcoin foi a primeira aplicação a ser desenvolvida em cima desta tecnologia, mas o que pode ser feito além dela? Quando olhas para o mundo empresarial, percebes que é uma comunidade muito próxima. Não é como esta rede aberta onde se encontram muitos players anónimos. Muitas vezes, tens um grande grupo de pessoas que estão a fazer negócios umas com as outras.

De forma anónima?
Tipicamente não. É uma rede permissiva, onde realmente sabes quem são as pessoas ou empresas com quem estás a negociar. É uma rede mais privada.

E é esta rede privada que os bancos e fundos estão a utilizar?
Sim, exatamente. O que estamos a ver no mercado é que há alguns consórcios, como os bancos, que olham para a tecnologia juntos e dizem como podem alavancar os processos internos entre os diferentes bancos, tornando-os mais eficientes nessa rede. Vimos isto na indústria dos seguros, por exemplo.

Como explicaria a blockchain em poucas palavras?
É uma tecnologia na qual podes, pela primeira vez, trocar ativos digitais entre pares sem um intermediário, sem um banco, uma empresa de crédito ou um governo.

"O que vemos é que, no futuro, não vamos ter só pessoas ou organizações a trocarem valor entre si. Também teremos coisas inteligentes, como um carro autónomo, uma máquina de lavar ou assistentes virtuais digitais"

E como convenceria as pessoas mais céticas de que é uma forma segura de transacionar valor?
Mas eu não quero convencê-las (risos). Regra geral, na nossa economia, depositamos a nossa confiança em grandes organizações, como nos bancos. Confias que o banco te vai dar o dinheiro que já lhe deste, por exemplo. Na blockchain, pela primeira vez, tens de confiar na tecnologia, que ela é segura. A parte mais interessante é que a tecnologia não é assim tão nova, é só uma combinação de tecnologias que já experienciámos. É uma tecnologia com provas dadas e, por essa razão, vemos que não houve — quer dizer, pode ter havido alguns incidentes no passado — mas de uma perspetiva tecnológica, até agora, é uma forma segura de trocar ativos digitais.

De todas as novas tecnologias, qual é aquela que acha que vai mudar a indústria mais rapidamente?
Depende do que queres dizer com “rapidamente”. Estamos muito interessados na intersecção e é daí que resulta o SAP Leonardo [sistema de inovação digital da SAP]. Não se trata apenas de trabalhar com a blockchain, o machine learning com a Internet das coisas. Estas coisas juntam-se e a intersecção é a beleza de quando as coisas se juntam. O que vemos é que, no futuro, não vamos ter só pessoas ou organizações a trocarem valor entre si. Também teremos coisas inteligentes, como um carro autónomo, uma máquina de lavar ou assistentes virtuais digitais. Vamos ter uma nova economia na qual não existem apenas humanos e organizações. A interseção é quando tudo se junta.

Para que esta troca de valor aconteça, acreditamos que é preciso uma infraestrutura tecnológica de base, que permita que isto seja possível. E será algo como a blockchain. De momento, temos mais de 80 tecnologias diferentes e a intersecção destas peças é muito boa para a blockchain. Precisamos de algo assim, porque não achamos que vão ser os cartões de crédito a desenhar o futuro. Imagina um carro elétrico que para quando o semáforo está vermelho e quer aproveitar para carregar a bateria enquanto espera pelo sinal verde. É preciso que tenhas um mecanismo diferente para que isto aconteça.

"Faz sentido começar negócios em indústrias que não sejam altamente reguladas. A banca e os seguros são muito regulados, por exemplo, mas quando olhas para outras áreas, como as cadeias de distribuição, já não é assim"

E os negócios que estão a desenvolver-se à volta destas novas tecnologias, o que devem ter em mente para conseguirem um modelo de negócio sustentável?
Depende do tipo de empresa que estivermos a falar. Tudo isto começou quando as indústrias dos serviços financeiros eram bancos e seguradoras, mas agora vemos a blockchain em todas as indústrias. Trabalhamos muito de perto com algumas startups e, realmente, depende do tipo de negócio. Podes querer trabalhar com aplicações já existentes, mas também podes querer ser grande e construir a próxima geração de rede da indústria. Tudo é possível.

Acha que os investidores estão sedentos por este tipo de projetos?
Pelo que sei, todos eles estão interessados em blockchain. Não tenho os números, mas há interesse. Há vontade de investir nesta área.

E os problemas de regulação que ainda há por resolver?
Faz sentido começar negócios em indústrias que não sejam altamente reguladas. A banca e os seguros são muito regulados, por exemplo, mas quando olhas para outras áreas, como as cadeias de distribuição, já não é assim. E tens de ver se a tecnologia é útil, porque nem todas as áreas precisam de blockchain. Não é uma solução para todos os casos. E depois tens todos os requisitos legais que precisas de preencher.

E as empresas que trabalham com a SAP? Têm visto muito interesse da parte delas nesta tecnologia?
Sim, vemos uma procura crescente dos nossos clientes para trabalharem connosco em cenários de blockchain. A tecnologia é, para nós, um facilitador. Começámos esta jornada assim e acreditamos que temos de ser abertos, porque não sabemos qual será o protocolo do futuro ou talvez haja muitos.

"Acho que, em determinada altura, a blockchain será uma matéria-prima, vai ser como a Internet e ninguém vai querer saber como realmente funciona"

Imagine um mundo onde a blockchain está por todo o lado. Como será esse mundo?
Acho que voltámos à primeira questão. É tudo muito sobre a Internet do valor, onde temos esse tal próximo nível, onde toda a gente — pessoas, empresas, coisas — podem trocar valor. Acho que nesse mundo ninguém se interessa sobre se isto é blockchain ou não, como hoje já ninguém quer saber o que é TCP/IP (protocolo que permite que haja Internet). Usas a aplicação, a tua assistente virtual pode transferir-te valor, mas não queres saber como é que funciona. Acho que, em determinada altura, a blockchain será uma matéria-prima, vai ser como a Internet e ninguém vai querer saber como realmente funciona.

O que diria às pessoas desse futuro?
Diria que vai ser uma matéria-prima, que a blockchain vai simplesmente existir e toda a gente vai aproveitá-la, mas ninguém vai estar muito interessado em saber como funciona. É a minha visão disto. Algumas pessoas dizem que a tecnologia blockchain é a máquina da confiança. A confiança é reforçada pela tecnologia e não pelas grandes instituições. Por isso, tenho esperança de que seja um grande benefício, uma camada na qual toda a gente confia e que é global. Não é restrita a um pais ou região. É mesmo uma rede global de confiança. Aproveitem-na.

Recomendamos

A página está a demorar muito tempo.