China está a preparar-se para analisar amostras de sangue de residentes da cidade de Wuhan, antes de o primeiro surto de Covid-19 ter sido detetado, em dezembro de 2019, informou esta sexta-feira um jornal de Hong Kong.

Citado pelo South China Morning Post, o especialista chinês em rastreabilidade Liang Wannian, explicou que o centro de sangue de Wuhan possui amostras, que são preservadas por dois anos, para casos de disputas médicas ou conflitos legais decorrentes de uma transfusão.

No entanto, estas amostras permanecem inacessíveis para outros estudos por um período de dois anos. Liang afirmou que, após esse período, “algum trabalho vai ser feito”.

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A mesma fonte contou que as autoridades chinesas estão a fazer experiências com testes de deteção e métodos de análise ao sangue, com vista a investigar as amostras que vão sendo disponibilizadas, à medida que completam os dois anos de armazenamento obrigatório.

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O especialista disse que “assim que houver resultados”, a China “notificará imediatamente os grupos de especialistas chineses e estrangeiros”.

Liang lembrou que o primeiro caso documentado de Covid-19 na China remonta a 8 de dezembro de 2019, mas que “provavelmente esse não é o caso zero”.

O local onde foi notificado o primeiro caso não é necessariamente o local onde o vírus passou do animal para o ser humano“, disse o especialista, que apresentou uma série de casos que mostram o surgir do coronavírus em muitas partes do mundo, “mais cedo ou mais perto da data do primeiro caso documentado em Wuhan”.

O vice-diretor da Comissão Nacional de Saúde, Zeng Yixin, qualificou a proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de iniciar uma segunda fase de estudos para investigar na China a origem do coronavírus responsável pela pandemia de Covid-19 como “arrogante” e reveladora de “falta de bom senso”.

Segundo Zeng, as investigações devem focar-se em “rastrear esforços em vários países e regiões” e não se repetir em locais já inspecionados durante a primeira fase da investigação, que culminou com uma visita de especialistas internacionais a Wuhan, no início deste ano.

No dia 15 de julho, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu à China que fosse “transparente e aberta” e cooperasse, “principalmente fornecendo dados brutos sobre os primeiros dias da pandemia”, que a China garantiu já terem sido estudados pelos seus próprios especialistas.