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A tomada do poder pelos talibãs no Afeganistão marcou “o dia em que o imperialismo do do liberal-neo-conservadorismo foi derrotado, uma vez por todas“, escreveu na noite deste domingo Yanis Varoufakis. O antigo ministro das Finanças da Grécia, que se celebrizou nos meses “quentes” da crise grega de 2015 – quase levando à saída da Grécia da união monetária – oferece “solidariedade” às mulheres afegãs e lança-lhes um repto: “aguentem-se aí, irmãs!“.

Varoufakis, que saiu do governo grego em 2015, acusando Alexis Tsipras de se vergar às exigências europeias, esteve na fundação de um novo partido na Grécia, chamado DiEM25. As “preces” desse partido “estão com as mulheres do Afeganistão”, escreveu o economista no Twitter.

“A nossa solidariedade, provavelmente, significa pouco para elas mas é aquilo que conseguimos oferecer-lhe – para já”, escreveu o ex-ministro grego, pedindo-lhes de forma coloquial: “aguentem-se aí, irmãs“.

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Mesmo após a saída do governo grego, Yanis Varoufakis continuou a manter uma ligação próxima com partidos como o Bloco de Esquerda, em Portugal. Em 2016, quando Alexis Tsipras ainda liderava um governo que cumpria o terceiro pacote de resgate grego (cuja assinatura levou à saída de Varoufakis), um representante do Syriza foi vaiado e apupado numa convenção do Bloco de Esquerda – contrastando com alguns meses antes, quando o Syriza (com Varoufakis) era elogiado por vários líderes do Bloco de Esquerda.

Também no Partido Socialista houve vários responsáveis que elogiaram o Syriza. Num artigo de opinião publicado no site do PS no início de 2015, o hoje Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, João Torres, escrevia que a vitória de Tsipras/Varoufakis nas eleições gregas significava que “irrompeu uma mudança na Europa”, trazendo “ventos que podem ser de efetiva mudança”.

Após a vitória de Tsipras nas eleições gregas, quando ainda estava Passos Coelho no Governo, António Costa esteve na Grécia com Tsipras e assinou uma declaração conjunta com o primeiro-ministro grego onde defendia medidas alternativas à austeridade – defendendo, porém, que a mudança não se faria pela “confrontação” mas por via do “diálogo”.

Jerónimo de Sousa veio, já após a saída de Varoufakis, comentar: “Há quem diga que não aprendemos com a Grécia. Mas isso é virar o bico ao prego. (…) O grande erro do governo grego foi não querer sair do euro, ao contrário, foi ter alimentado a ilusão de que era possível eliminar a política de exploração (…) dentro do euro», defendeu o líder dos comunistas em 2016.