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“Os grandes eventos internacionais estão de volta.” Esta era a promessa do candidato do PSD à câmara municipal do Porto para este domingo e o anúncio oficial da “grande novidade” contava com uma presença especial: Rui Rio.

O ponto de encontro foi no Castelo da Foz, com um desfile de carros clássicos, já que em comum, Vladimiro Feliz e o líder do PSD têm, além do partido, o gosto por carros, especialmente os mais antigos. Chegaram de mãos nos bolsos e mangas de camisa arregaçadas, cumprimentaram populares entre vários carros vistosos estacionados em fila, no meio de um trânsito caótico provocado pela maratona do Porto. Lado a lado, comentaram restauros “bem feitos” e aproveitaram o sol matinal para tomar um café, sem açúcar, no Chalé Suíço, em pleno Jardim do Passeio Alegre.

Em vários debates e entrevistas, Vladimiro Feliz já tinha puxado os louros de iniciativas como a D’Bandada (2011), o festival Primavera Sound (2012) ou o Red Bull Air Race (2007), deixando no ar a vontade de fazer regressar estes eventos à cidade. Um dos mais emblemáticos foi o Circuito da Boavista, relançado pela autarquia liderada por Rui Rio, em 2005. Aliás, na camisa que Rio escolheu vestir este domingo, o símbolo do evento estava bordado a preto e dava bem nas vistas. “Existiram cinco sessões e depois chegou o Rui Moreira… Isto é preciso ter fôlego, não aparece feito”, começou por dizer aos jornalistas, recordando que o evento “levavam mais de 100 mil pessoas”.

Minutos antes de acelerar com um clássico pelas ruas da cidade, Rio e Vladimiro reforçaram a dose de cafeína no Passeio Alegre

Entraram juntos num Citroën DS Boca de Sapo, verde garrafa, Feliz ao volante e Rio no lugar pendura, e com dezenas de outros carros antigos fizeram um percurso de poucos minutos, onde soaram buzinas e manobras aceleradas. Chegaram a uma das entradas do Parque da Cidade separados, Rio num Rolls-Royce, a que chamou de “Rainha de Inglaterra”, e Vladimiro ao volante do mesmo Citroën para pouco tempo depois prometer que, caso o PSD volte à câmara do Porto, o Circuito da Boavista voltará à cidade. A intenção, segundo o candidato, é organizar um evento que não se resuma ao desporto, mas “coloque o Porto na agenda mundial da mobilidade sustentável”.

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“Queremos que este evento sirva para organizar uma conferência global sobre mobilidade sustentável com a nossa indústria, a nossa academia, os nossos centros de investigação e, claro, os portuenses. Queremos que o Porto se torne uma referência mundial na sustentabilidade das cidades do futuro, vamos fazer corridas sustentáveis, com zero emissões de carbono e livres de plástico, é esse o nosso compromisso com a cidade”, explicou entre os aplausos.

Rio ataca Rui Moreira, António Costa e cita Ary dos Santos à boleia da bazuca

Foi a vez de Rui Rio sair da sombra das árvores e tomar conta do microfone para fazer uma viagem no tempo, recordando os 12 anos em que foi autarca no Porto. “Ser autarca é, acima de tudo, ser capaz de definir objetivos para a cidade, não é andar a gerir conforme dá o vento ou conforme saem as notícias, para um lado ou para o outro”, começou por dizer.

O líder do PSD garante, que além do Circuito da Boavista, o seu executivo fez muitas outras coisas, da inclusão social à reabilitação urbana na baixa, da mobilidade ao turismo. “Tudo isto foi feito com pés e cabeça (…) Trouxemos as corridas de aviões que acabaram, trouxemos o mundial de vela que acabou, e trouxemos o circuito da Boavista que acabou. Tanta coisa que nós fizemos acabou, não sei porque acabou, ou talvez possa adivinhar, mas não acabou seguramente no interesse da cidade. Quando gerimos a cidade em função do interesse publico, não podemos destruir aquilo que os anteriores fizeram de bom. Bem pelo contrário, temos é que construir em cima daquilo que está bom, procurando fazer ainda melhor.”

Com Vladimiro Feliz a conduzir um Citroën, Rio sorriu para os fotógrafos e recordou os seus 12 anos como autarca no Porto

Este domingo os carros são os protagonistas — tanto na estrada, como na lista de promessas — e para Rui Rio o circuito da Boavista tem um legado maior que outras iniciativas, “faz parte das tradições e da cultura da cidade” que devem ser retomadas,  sendo ao mesmo tempo uma marca do Porto que “não deve ser destruída”, enfatiza.

Vladimiro Feliz assumiu que caso seja eleito os carros clássicos e os carros do futuro regressarão à Avenida da Boavista e o presidente do PSD veio ao local para enaltecer a coragem do candidato, um dos seus homens de confiança. “Quando alguém vem aqui e diz ‘eu vou fazer’ está a assumir uma responsabilidade enorme, os outros batem palmas, mas ele fica com o encargo às costas. É preciso ter a coragem que outros não têm. Há uns que prometem o que não podem cumprir, aqui está-se a prometer o que é cumprível”, sublinha.

As críticas de Rio em plena campanha eleitoral não se ficam por Rui Moreira e companhia, passam pelo governo de António Costa a que chama de “centralista” e “ineficaz”. “O Porto tem perdido por uma câmara que não é eficaz, mas tem perdido também por um governo que não é eficaz, mas centralista. O Porto tem perdido porque, por exemplo, a TAP abandonou o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, o Governo não se interessa por isso e a câmara não tem força política para se impor a um Governo que deixa o Porto para trás.

A descentralização é um tema caro para o líder da oposição que recorda em voz alta casos como o Banco Português de Fomento, o Infarmed ou a Agência Portuguesa de Investimento que poderiam estar instalados no Porto, mas permanecem na capital. “Temos um governo e um partido Socialista que não quer descentralizar nada, não quer mudar rigorosamente nada”, dando exemplos de propostas sociais democratas como a revisão da constituição, a reforma da justiça ou a alteração do sistema eleitoral que não avançaram. “Há sempre desculpa para não fazer nada, para que tudo fique na mesma.

Da TAP à bazuca, do centralismo à ineficácia, Rui Moreira e António Costa foram os principais alvos do líder do PSD

Perante uma plateia bem composta por apoiantes, Rio não perde mais uma oportunidade de falar numa campanha suja e acusa novamente António Costa de “andar de bazuca em punho”, citando até José Carlos Ary dos Santos para o provar. “A canção de Ary dos Santos fala da menina com o ribeiro à cintura, nós temos um primeiro-ministro com uma bazuca à cintura, fazendo uma campanha eleitoral com base nisso.”

A exatamente uma semana do dia das eleições, o líder do PSD espera que António Costa e todos os socialistas “perceberem através do resultado eleitoral que há um descontentamento notório com um partido que nada quer mudar e quer que tudo fique na mesma”. E a esperança parece ser mesmo a última a morrer. “Estou convencido que, no Porto e por todo o país, o povo português dê  uma resposta adequada a esta situação. De hoje a oito dias vão votar e, como diz a canção, levem um amigo também.