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A revolta é crescente. Em reação aos sucessivos aumentos dos preços dos combustíveis, já há várias ações e protestos que juntam milhares de cidadãos, ao mesmo tempo que os camionistas admitem recorrer às mesmas soluções. Esta sexta-feira acontecerá a primeira de várias “greves” ao abastecimento de combustíveis, anunciada num grupo que já junta mais de 420 mil pessoas. Ao mesmo tempo, acumulam-se as petições dirigidas tanto ao Governo como ao Parlamento e ao Presidente da República.

É no grupo privado “Greve aos combustíveis” que se anuncia, para já, não só o protesto desta sexta-feira mas também a mesma intenção para os dias 21 a 22 de outubro e 28 e 29 de outubro. A descrição do grupo, que já angariou 423 mil membros, defende que os portugueses devem deixar de ser “um povo manso” e obrigar, através da greve ao abastecimento dos combustíveis, o Governo a perceber “o mal” que estará a fazer: “Isto podemos controlar! O dinheiro, onde gastamos e quando!”.

Ao Dinheiro Vivo, um dos organizadores, Ricardo Freitas, explicou o objetivo do protesto: a ideia é obrigar o Governo a “baixar os impostos” sobre os combustíveis, pedindo aos cidadãos que não abasteçam nos dias marcados e lembrando que cerca de 60% do valor pago por litro de gasolina e gasóleo — respetivamente, 1,73 euros por litro e 1,53 por litro, neste momento — vem dos impostos.

O sentimento de revolta é, de resto, acompanhado por várias petições partilhadas nas redes sociais: uma delas, com 32 mil assinantes, manifesta-se contra “os preços dos combustíveis mais altos da Europa”, criticando tanto a “liberalização dos preços” como “as imensas taxas e impostos”, e dirige-se a Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República. Outra, que junta de momento quase 17 mil assinaturas, pede também um fim ao “desproporcional valor dos impostos”, dirigindo-se a vários membros do Governo e também ao Presidente da República.

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Como nota o Diário de Notícias esta sexta-feira, a insatisfação já chegou, de resto, aos camionistas, que falam em “movimentações” para travar uma escalada dos preços que pode provocar “falências”. Na quinta-feira, em declarações à SIC, o presidente da ANTRAM (Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários), Pedro Polónio, dizia “não se admirar nada” que começasse a haver protestos, apesar de a ANTRAM nunca ter promovido uma paralisação.

Este mês, o Parlamento aprovou na especialidade uma proposta do Governo que permitirá fixar limites aos preços quando se considerar que estão demasiado altas “sem justificação”, como explicava o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes. Mas o Executivo tem recusado tomar diretamente medidas para baixar os impostos sobre estes produtos já no Orçamento do Estado.

Esta semana, em entrevista à RTP, o ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira, argumentava que é preciso perceber “se isto é uma coisa esporádica e excecional” antes de “alterar muito significativamente não só a estrutura destes impostos, como também toda a estrutura da nossa fiscalidade”.

Portugal terá neste momento, segundo os números do último boletim da Comissão Europeia, a sexta gasolina e o sétimo gasóleo mais caro entre os Estados-membros. Desde o início do ano, os preços já subiram mais de 30 vezes (tendo recuado menos de dez, em compensação). Para a próxima semana está prevista nova subida, que poderá chegar ao cêntimo e meio por litro, segundo adiantava a SIC esta quinta-feira.