Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Aos poucos, já se vai conhecendo os papéis que os vereadores eleitos na lista de Carlos Moedas vão desempenhar nos próximos quatro anos. Numa equipa mais curta que a do seu antecessor — são sete eleitos contra os nove de há quatro anos –, a sobreposição de pastas acabará por ser natural.

Esta terça-feira, o novo executivo camarário terá uma reunião decisiva para fechar os pelouros e perceber as áreas de intervenção de cada um. Só a partir daí é que será possível perceber, com exatidão, o desenho final da equipa de Moedas. Ainda assim, os traços essenciais do novo executivo já vão sendo conhecidos.

Tal como anunciou esta tarde, Carlos Moedas vai ficar pessoalmente com a pasta da transição energética e alterações climáticas, sem ser de excluir que venha a tratar diretamente de outros temas.

Como era expectável e há muito comentado, Joana Castro Almeida, especialista em engenharia do território e professora do Instituto Superior Técnico, deve assumir o pelouro do Urbanismo como vereadora independente, enquanto Filipa Roseta, atual deputada do PSD, ficará com o pelouro da Habitação.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

De resto, o caso de Filipa Roseta tem sido o mais bicudo de resolver. A deputada quer acumular o cargo de deputada com o de vereadora com pelouro e, mesmo depois de notícias que apontavam para o mal-estar que isso estaria a causar na equipa de Moedas, Roseta já veio dizer que não vê qualquer “incompatibilidade” em manter ambas as funções.

“Não há incompatibilidade se o cargo de vereador for exercido em regime de não permanência, ou seja, sem direito a remuneração e apenas com direito a uma senha de presença por cada reunião ordinária ou extraordinária do respetivo órgão e das comissões a que compareça e participe”, escreveu no Público.

No entanto, além de não ter direito a remuneração, se optar por esta solução, Filipa Roseta também não terá staff próprio — o que tornaria, naturalmente, a sua missão bem mais difícil. Logo, esse será um dos temas a tratar na reunião de terça-feira.

Continuando a distribuição de pastas. Filipe Anacoreta Correia, vice-presidente da autarquia e presidente da Mesa do Conselho Nacional do CDS, deve ter como principal pelouro o das Finanças.

Diogo Moura, líder da concelhia do CDS/Lisboa, deverá, ao que tudo indica, assumir a área da Cultura, que poderá ter de acumular com outros pelouros, como a Educação.

Ângelo Pereira, líder da distrital do PSD/Lisboa e sexto na lista de Moedas, deve ficar com a pasta da Mobilidade, e é bastante provável que venha a ter de assumir outras funções.

Por fim, Laurinda Alves, jornalista, escritora, professora universitária e colaboradora residente no Observador, deverá ficar com a pasta da Ação Social.

Até ao final desta semana ou, no limite, no arranque da próxima, Moedas terá o seu primeiro embate: aprovar o regimento da câmara municipal e a delegação de competências para os próximos quatro anos.

Não é uma votação de somenos importância: é este documento que vai estipular em concreto quais as competências que ficam atribuídas ao presidente (que depois pode delegar nos vereadores) e quais terão de ser objeto de decisão pelo executivo camarário — ou seja, que terão de passar pelo crivo da maioria de esquerda.

Será o primeiro teste de algodão para Moedas perceber se vai ter uma oposição colaborante — como prometeu o PS — ou apostada em fazer de maioria de bloqueia ao novo executivo camarário.