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A ministra da Saúde disse esta quinta-feira que a situação pandémica está “estável” em Portugal, mas alertou para “alguns sinais de preocupação” e para “fatores de contexto preocupantes”. “Estamos a crescer”, admitiu. Revelou também que, de acordo com uma previsão do Instituto de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), o país deverá registar 1.300 casos a 7 de novembro. Isto, sublinhou, se o R(t) se mantiver em 1,08.

Na conferência de imprensa realizada após o Conselho de Ministros, Marta Temido explicou que Portugal ainda não ultrapassou o patamar de risco no que diz respeito à incidência (abaixo de 120), apesar de o R(t) estar acima de 1. Contudo, a ministra da Saúde destacou o aumento da proporção de positividade, o que é um sinal de “preocupação”.

Marta Temido também destacou “vários fatores de contexto preocupantes”, como a “situação europeia” — sobretudo dos países com maior contacto — “as temperaturas frias”, “a circulação dos vírus respiratórios e a maior tendência de concentração em espaços menos arejados”. Mas reitera que a situação está “estável”, sendo que agora apenas se verifica o “crescimento da infeção e da transmissão”.

Por este aumento de casos e da positividade, a ministra anunciou que o Estado de alerta será prorrogado até o final de novembro. Ainda assim, fala num “contexto francamente favorável” e que a “uma maior circulação do vírus tende a corresponder um maior número de casos”.

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“Já tivemos fases de crescimento e de decréscimo no verão e esperamos manter um nível de transmissão controlado: é isso que esperamos fazer desta vez”, afirmou Marta Temido, que também salientou que o número de mortes está “estável”, bem como o de internamentos. Há ainda, segundo a governante, uma forte variação do R(t) em termos regionais.

Embora os sinais de um eventual agravamento da pandemia ainda não sejam claros, Marta Temido deixou um apelo de “responsabilidade coletiva” aos portugueses, ainda para mais num contexto em que, devido às temperaturas baixas, não será o propício para uma eventual descida dos casos.

Auto-agendamento da vacina para mais de 80 anos já começou

Na conferência de imprensa, Marta Temido anunciou que o auto-agendamento da dose de reforço da vacina contra a Covid-19 já começou para aqueles com mais de 80 anos, avisando que quem ainda não foi contactado será nos próximos dias. E a ministra também divulgou ainda que a vacinação da gripe e da Covid está “praticamente concluída” em lares.

Respondendo aos jornalistas, a governante faz um “balanço positivo” da vacinação, indicando que 85,9% da população tem duas doses da vacina. Além disso, destacou que 194.257 pessoas com mais de 65 anos e cerca de 5.500 imunossuprimidos já tomaram uma dose de reforço da vacina contra a Covid-19.

Relativamente à vacina da gripe, Marta Temido sinalizou que foram administrados 384.754 inoculantes contra a doença desde o início da campanha, estando em stock cerca de dois milhões e meio de imunizantes, somando-se ainda as vacinas adquiridas pelas farmácias.

“Neste momento, temos em marcha a co-administração da vacina da gripe e da terceira dose da vacina contra a Covid-19”, referiu Marta Temido, estipulando que o objetivo do Governo é que — por volta do Natal — todas as pessoas com mais de 65 anos tenham completado a vacinação.