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Os peritos que pertencem ao grupo de trabalho que apoia a Direção-Geral da Saúde (DGS) na vacinação contra a Covid-19 de menores de idade estão contra a imunização das crianças dos 5 aos 11 anos. A diretora-geral da Saúde desvaloriza: Graça Freitas diz que aquele grupo é apenas “consultivo” e que ainda haverá um parecer final da comissão técnica, feito com base neste parecer mas também noutros contributos.

Segundo o Expresso, que avança a notícia, o parecer dos peritos vai ser entregue à Comissão Técnica de Vacinação para a Covid-19 na quinta-feira, que vai depois redigir o documento final e enviá-lo a Graça Freitas. O semanário escreve que o grupo acredita, no entanto, que apesar deste parecer negativo, a decisão deverá avançar. Para os pediatras, cardiologistas, enfermeiros e outros representantes da Saúde (mais de 10), a vacinação naquele grupo etário deve estar limitada aos casos de risco.

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Na quinta-feira, após a reunião de Conselho de Ministros, António Costa confirmou que o país está preparado para começar a vacinar as crianças a partir de 20 de dezembro, caso a Comissão Técnica se declare a favor do alargamento da vacinação. Estariam elegíveis 637.907 crianças naquela faixa etária.

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As declarações de António Costa levam vários elementos do grupo de trabalho a acreditar que o adiamento do regresso às aulas em janeiro, por uma semana, permitirá que a vacinação ocorra durante as férias de Natal.

Em declarações transmitidas pela RTP3, Graça Freitas reagiu à notícia do Expresso ao defender que a comissão de peritos de pediatria e saúde infantil “é apenas uma comissão consultiva“. “É no parecer final que a DGS vai fazer o seu parecer e recomendação para a tutela“, afirmou, aos jornalistas.

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A diretora-geral da Saúde lembrou que o regulador europeu, a EMA, aprovou a vacinação das crianças e “a Sociedade Portuguesa de Pediatria corrobora a orientação”. “Estamos a ver dossiês que a EMA providencia para podermos ver os ensaios clínicos e a comissão técnica vai emitir pareceres”, indicou.

Graça Freitas sublinha que a vacinação dos 12 aos 17 “indica que a vacinação é segura”. Como a vacina dos 5 aos 11 é “feita especialmente” para esta faixa etária, “estamos ainda mais confiantes na relação benefício-risco”, defendeu, até porque a “maior parte” dos novos casos está concentrada entre os 0 aos 9 anos.

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“Só quando os pareceres estiverem fechados é que emitiremos uma opinião. Sou fortemente a favor das vacinas, são a melhor forma de proteger contra a doença”, referiu.