“O Sporting perdeu 4-2 com o Ajax e é isso que fica para a história”. Esta foi uma das frases de Rúben Amorim na conferência de imprensa após finalizar a fase de grupos da Liga dos Campeões com um jogo em Amesterdão onde alinhou com muitos jovens, apresentando uma equipa com média de idades de 23 anos e 11 meses (com jogadores experientes como Neto ou até Ricardo Esgaio) e batendo duas vezes o recorde de leões mais jovens na Champions, com Gonçalo Esteves e Dário Essugo. O último tornou-se, inclusivamente, o português mais jovem de sempre a jogar na Liga milionária.

O Sporting não conseguiu chegar à quarta vitória consecutiva em competições europeias e perdeu ao fim de 12 jogos a vencer, não conseguindo Amorim chegar ao recorde de Jorge Jesus nos leões (13), neste caso alcançado em duas temporadas distintas. Todas as derrotas da equipa de Alvalade esta época foram na Champions: duas com o Ajax e no Signal Iduna Park, frente ao Borussia Dortmund.

E sobre esta noite, Amorim não teve problemas em dizer que jogou “contra uma grande equipa e foi notória a diferença [entre as equipas]”. “Vamos continuar com a máxima força, sabendo da diferença que há para as outras equipas. Mas os portugueses nesse aspeto fazem muito com pouco”, referiu, lançando já os oitavos, dos quais falaria mais à frente

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E como acabou esta terça-feira a fase de grupos, o treinador leonino fez questão de resumir a passagem vitoriosa dos leões pelo Grupo C: “Na primeira jornada estivemos algo perdidos, nervosos, ansiosos e na segunda jornada cautelosos. Na terceira jornada fomos corajosos e voltámos a reacender a chama que esta equipa tem, que nunca a perdeu, mas voltámos a dar-lhe força. Fomos muito fortes no segundo jogo com o Besiktas, muito pragmáticos no jogo com o Borussia Dortmund e hoje [terça-feira] também fomos corajosos”. No entanto, o treinador português diz ainda que a equipa também foi “ingénua”, porque “o jogo estava 1-1 a ir para o intervalo” e “num saída” de bola o Sporting “deu um golo”.

“Depois na segunda parte, com bolas fáceis para fazer ligação e irmos para as transições onde poderíamos ser perigosos, perdíamos a bola e eles mataram-nos aí. Um bocadinho como o que fizemos na sexta-feira [3-1 frente ao Benfica], que matámos quando tínhamos de matar. E o Ajax hoje matou-nos mas num jogo em que crescemos. Estamos claramente melhor equipa e eu fico feliz por ver este crescimento. Teremos tempo para crescer ainda mais e vamos estar preparados para os oitavos de final”, garantiu Amorim.

Sobre os jovens que lançou, do mais habitual Daniel Bragança a Dário Essugo, Gonçalo Esteves ou Nazinho, Rúben Amorim referiu que “podem melhorar tudo e existiu alguma ansiedade que é normal”. “Tínhamos de aproveitar este jogo e não foi por isso que perdemos. Os erros são individuais, mas toda a equipa é responsável. E se olharmos bem para os lances não foram os miúdos que tiveram ansiedade ou não conseguiram controlar uma bola. Aqui e ali notou-se alguma inexperiência deles, o que é normal, mas podíamos ser melhores. Não quero estar a defender-me com isso, podíamos ser melhores”, referiu.

Mais uma vez, elogiou a estratégia do Ajax e deixou antever o que alguns jogadores seus podem ser no futuro. “Imaginem o Dário daqui a dois anos… Tenho muita esperança neles. Vamos ser muito melhores”, disse, virando-se depois para os neerlandeses: “É o que o Ajax faz. Têm uma equipa jovem. O Gravenberch joga no Ajax desde a formação, o David Neres é jovem e joga aqui há três anos. Vamos dar tempo aos nossos jovens sabendo que temos de ganhar, porque somos um grande clube, mas temos ganho. Vamos tentando juntar as duas coisas, às vezes conseguimos, outras vezes não. Agora é pensar no Boavista”, declarou Rúben Amorim.

O treinador do Sporting admitiu ainda que “foi um erro” que possa ter dado a entender que o guarda-redes João Virgínia estava “num teste”, visto que na antevisão falou numa “decisão”. Neste caso, a opção de compra que os leões têm sobre o português que está emprestado pelo Everton. “Ele não estava [em teste] e nós acreditamos muito nele. Tem tido um crescimento muito grande nos treinos e é um jogador com o qual contamos. Vi uma grande exibição, normal na qualidade que ele tem. Vai melhorar com o Vital [treinador de guarda-redes] já melhorou muito com o Vital, e é um grande guarda-redes muito ágil, ainda vai melhorar o jogo com os pés, é muito rápido a sair da baliza e tem bons pormenores. Mas essa avaliação cabe mais ao Vital que sabe melhor que eu avaliar os guarda redes”, disse já a sorrir.

Amorim avisou onde é que eles eram bons e os miúdos portaram-se bem até a “aula” complicar (a crónica do Ajax-Sporting)

Dizendo que devia ter “começado por aí” ao ser questionado sobre o resultado da equipa do Sporting na Youth League (apurou-se para a fase seguinte após virar um 0-2 do Ajax para 3-2) à qual deu os parabéns, Amorim quis “realçar que quer a equipa B, quer a de Sub-23 têm uma rotação muito grande”, porque o o próprio tem “tirado muitos jogadores e é complicado para esses treinadores lidarem com isso”. “Relembrar que na Youth League a equipa ficou sem três ou quatro jogadores e é difícil criar rotinas de treino. Parabéns aos miúdos que demonstraram o que o Sporting sempre foi e é, mesmo com as dificuldades que falei. Mostraram o espírito desta equipa e deram a volta. Vou tentar não tirar muitos jogadores, não prometo nada, mas acho que estamos num bom caminho”, finalizou sobre o assunto.

Teve ainda tempo para comentar a eliminação do FC Porto às mãos do Atlético Madrid, visto ter dado os dragões como “favoritos”. Explicou tê-lo feito apenas porque viu “jogar a equipa” e conhece Sérgio Conceição. “Passam sempre a fase de grupos e são o maior representante do país, durante largos anos, na Liga dos Campeões. Agora em termos de orçamentos e individualidades, o FC Porto faz sempre muito com menos. Nós vamos tentar representar bem o nosso país, esperando que o Benfica faça o mesmo”, concluiu.

Sporting conhece cinco dos sete possíveis adversários nos oitavos da Champions – mas o “brinde” é o que ainda não se sabe