Inês Sousa Real desceu este sábado a Avenida da Liberdade, em Lisboa, como grito de alerta para o problema da poluição do ar. Numa ação simbólica, a porta-voz do PAN, bem como outros elementos da comitiva, caminhou equipada a rigor: desfilou com uma máscara de proteção contra a poluução até aos Restauradores.

“Estamos naquela que é uma das avenidas mais poluídas da Europa”, apontou Inês Sousa Real, defendendo que enquanto o país não combater a poluição de forma “eficaz”, através da aposta nos transportes públicos ou em mais espaços verdes, não vão ser evitadas “mais de 6 mil mortes ao ano” devido à poluição e à má qualidade do ar.

O PAN defende, por isso, “uma maior oferta de transportes públicos” ou o reforço das carreiras e considera que a cidade de Lisboa tem sido “vítima daquela que é uma política do betão”. Inês Sousa Real sublinha ainda que “não é pelo facto de a pandemia ter feito reduzir as emissões” que se vai “conseguir combater” a crise climática, alertando que o país “está a voltar a níveis muito elevados, para o dobro das emissões” e apelando a uma mudança de como se vive hoje nas cidades.

Inês Sousa Real recusa “escudar-se numa oposição da terra queimada” ao futuro Governo

Foi em Loures que a líder do PAN começou o dia, com uma visita ao Mercado dos Pirecoxes. Em terreno comunista — e num mercado habitualmente frequentado por Jerónimo de Sousa, que ali vive — Inês Sousa Real chegou a ser desafiada por um eleitor que “sempre votou PSD” desde Sá Carneiro e que, entre elogios à candidata, admitiu que “gostava de ver o PAN coligado” com o partido de Rui Rio.

Em declarações aos jornalistas, questionada sobre o facto de continuar a não se comprometer com uma preferência entre PS e PSD, Inês Sousa Real mantém a narrativa de que o PAN está é “coligado com os portugueses”, recusando estar a fugir a uma resposta sobre essa matéria.

Perante a “crise socioeconómica” que o país está a atravessar, bem como “a crise climática”, a líder do PAN diz ainda que não pode “escudar-se numa oposição de terra queimada, que não constrói pontes nem apresenta soluções para o país”, prosseguiu.

Direitos dos animais na Constituição será uma das primeiras iniciativas propostas pelo PAN

Ao final da tarde, a caravana visitou a Sociedade Protetora dos Animais, em Lisboa. Inês Sousa Real adiantou que a consagração dos direitos dos animais na Constituição portuguesa vai ser uma das primeiras iniciativas que, na próxima legislatura, darão entrada por parte do PAN na Assembleia da República em matéria de proteção animal.

“Queremos que o bem estar animal esteja consagrado na Constituição” e, por isso, a líder do PAN espera que “as restantes forças políticas acompanhem” esta proposta, que será uma das prioridades do partido. Em declarações aos jornalistas, Inês Sousa Real lembra que, recentemente, o Tribunal Constitucional considerou inconstitucionais as normas do Código Penal que criminalizam os maus tratos a animais, referindo que não concorda com esta decisão, por não ser uma “visão atualista daquilo que são os valores inscritos na Constituição”.

Para o PAN, os maus tratos a animais devem ser alvo de uma sanção, por isso o partido propõe também que o Código Penal seja alterado no sentido de criminalizar todos os maus tratos contra animais, independentemente de serem ou não animais de companhia.

No final da visita a esta que é uma estrutura que apoia animais abandonados e em risco, mas também presta apoio social a famílias em situação de carência socioeconómica, Inês Sousa Real lembrou uma das bandeiras do partido — a criação de hospitais públicos veterinários.

Questionada sobre como pode fazer vingar essa proposta junto das restantes forças políticas na próxima sessão legislativa, a porta-voz do PAN lembra que o Orçamento do Estado para 2021 já prevê que as autarquias possam fazer esse tipo de protocolos e que “só mesmo a ausência de vontade política é que poderá não concretizar esta medida”. Inês Sousa Real ressalva ainda que é preciso ir “mais longe” e garantir que existem hospitais públicos veterinários de raiz pelo menos nas áreas metropolitanas.

A caravana do PAN fechou este dia de sábado com uma vigília junto ao Jardim Zoológico, a propósito “dos golfinhos a viverem em tanques há dois anos”.