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A guerra continuava, as preocupações estavam todas lá, mas o arranque da Liga ucraniana acabou por ser o bálsamo possível para o Shakhtar, uma equipa que há muito estava privada de atuar no moderno estádio que albergou encontros do Campeonato da Europa de 2012 mas que acabou por ficar afetado com o início da guerra no Donbass em 2014. Enquanto a infraestrutura ia sendo atingida, a formação de Donetsk tinha de ir saltando de recinto em recinto, passando por Lviv, Kharkiv e Kiev desde o início da invasão russa. A nível europeu, a mudança foi feita mesmo para outro país, com os jogos caseiros da Champions a serem disputados na cidade polaca de Varsóvia, tal como o Dínamo Kiev fizera nas rondas de qualificação.

A guerra continuava, as preocupações estavam todas lá, mas o arranque da Liga dos Campeões com uma goleada na Alemanha frente ao RB Leipzig acabou por ser o bálsamo possível para o Shakhtar, uma equipa que acabou por simbolizar a união do povo ucraniano como contava uma reportagem do The Athletic, que encontrou famílias que eram adeptas do Dínamo Kiev, que em condições normais queriam sempre que o conjunto de Donetsk mas que desde o início da guerra começaram a ver em cada vitória de um qualquer representante do país um símbolo de esperança, tal como acontecera antes com o próprio Dínamo.

“Antes, havia 1% de hipóteses de apoiar o inimigo; agora, são só ucranianos que nos orgulham”: Shakhtar goleia apoiado por adeptos do Dínamo

A guerra continua, as preocupações estão todas lá e agora nem mesmo a receção ao campeão europeu Real Madrid consegue funcionar como bálsamo para a situação que a Ucrânia vive, sendo que o próprio plantel mudou muito com a pandemia e a guerra e passou a ter apenas um brasileiro (antes havia quase uma legião, agora sobra Lucas Taylor), dois africanos (Olarenwaju Kayode e Lassina Traoré, que decidiram ficar na equipa mesmo no atual contexto) e um croata (Djurasek) além de jogadores nacionais. Também por isso, tudo o que se passa no país onde têm raízes e família ganha um redobrado impacto e a série de bombardeamentos da Rússia esta segunda-feira em Kiev ou Lviv mexeu e muito com o plantel.

“As caras esta manhã ao pequeno-almoço estavam muito sérias, parecia quase um funeral”, contou uma fonte do clube ao jornal As, que já se encontra também em Varsóvia para o encontro desta terça-feira com o campeão espanhol. De certa forma, a situação acabou por ser quase inesperada, tendo em conta que há pouco mais de uma semana, quando deixaram Kiev (o encontro na Liga com o Lviv foi adiado), o cenário era tranquilo e de uma quase normalidade possível. “O ambiente agora está muito mais sério do que é costume, vamos ver como afeta a equipa”, admitiu a mesma fonte, que explicava também que desde o jogo em Madrid na semana passada que a equipa está concentrada no Hotel Regent, na Polónia, o que faz com que ninguém tenha estado com familiares e amigos a não ser através de chamadas.

De recordar que o Shakhtar, atual segundo classificado do grupo e com possibilidades em aberto de chegar à Liga dos Campeões com toda a importância desportiva, social e económica que a façanha teria, é uma das equipas ucranianas mais ativas durante o período de guerra. Como recorda o As, dois jogadores do plantel, Andrei Totovytskyi e Oleg Ocheretko, visitaram recentemente um hospital infantil feito em Varsóvia para crianças ucranianas, enquanto a Fundação do clube apoia não só famílias que ficaram sem nada e crianças que querem continuar a jogar ao abrigo do programa “Come On, Let’s Play!”. Antes, a digressão “Shakhtar Global Tour” pela Europa conseguiu 1,2 milhões para ajudar no combate, com 22 toneladas de comida, colchões, almofadas e capacetes para a linha da frente. Rinat Akhmetov, dono do Shakhtar, já doou também mais de 95 milhões de euros a título pessoal para causas humanitárias.