Cerca de seis meses após assumir o cargo de cônsul-geral de Portugal em Nova Iorque, Luisa Pais Lowe disse à Lusa que as visitas consulares em várias cidades têm sido o serviço com mais impacto junto das comunidades.

“As presenças consulares são, sem dúvida, o ‘game changing‘ [expressão em inglês que se refere a algo revolucionário] do trabalho do consulado. Perdoem-me o anglicismo, mas é, de facto, a decisão funcional que mais impacto está a ter junto da comunidade em termos de prestação de serviços consulares”, referiu a cônsul-geral, em declarações à Lusa.

Quando chegou a Nova Iorque para assumir funções, Luisa Pais Lowe afirmou que a sua prioridade seria “diagnosticar e solucionar” os “desafios de serviço e comunicação” que o consulado tem enfrentado.

Apesar da reduzida equipa com que conta, a diplomata avalia que conseguiu atingir uma “velocidade de cruzeiro” que gostaria de manter, ao mesmo tempo que ambiciona chegar a todos os clubes portugueses com capacidades para receber estas visitas consulares.

“Quando cheguei a Nova Iorque, os representantes da comunidade perguntaram-me se seria possível retomar essas visitas consulares, porque há muitas pessoas que, pela sua idade ou pelas suas profissões, não conseguem facilmente chegar a Manhattan. Estou a falar de idosos, pessoas com crianças, ou até de pessoas com profissões que cujo horário não lhes permite afastar-se muito tempo”, disse, dando como exemplo médicos e enfermeiros, condutores de ambulâncias ou de autocarros escolares.

A estratégia passa por levar os serviços consulares às pessoas que não têm facilidade de se deslocar até ao consulado, sediado no centro da cidade de Nova Iorque.

Nesse sentido, uma equipa composta por dois funcionários consulares desloca-se a clubes portugueses da região, acompanhada pela cônsul-geral e, sempre que possível, pelo coordenador do ensino português, José Carlos Adão, na tentativa de tornar o serviço o mais completo possível.

“Tentamos fazer um bocadinho uma exportação do consulado para as cidades de maior concentração de comunidades. Dois técnicos levam consigo um quiosque móvel de recolha de dados biométricos para fazer cartões de cidadão ou passaportes, atendendo assim dezenas de pessoas que fazem previamente as suas marcações junto dos clubes. Os clubes, tenho que dizer, estão a fazer connosco uma colaboração espetacular“, agradeceu Pais Lowe.

O número de cidadãos atendidos nessas visitas consulares ronda as quatro dezenas. Contudo, a diplomata salientou que “a procura ainda é maior do que a oferta”.

“Penso que a médio prazo vamos ter um decréscimo da procura e que depois atingiremos um patamar linear de rotina, digamos assim. No fundo, não quero deixar ninguém indocumentado ou não servido ou não informado”, declarou a diplomata.

“Nós temos que ser ambiciosos nos nossos objetivos e eu acredito, sinceramente, que há sempre espaço para melhorar. Mas temos que casar isso com o realismo. Ou seja, só consigo fazer estes serviços enquanto tiver comigo uma equipa com a dimensão atual e enquanto as máquinas funcionarem. Se tiver uma avaria nas máquinas, temos que ter o tempo de reparação. Se algum dos funcionários rescindir contrato, ficamos com uma baixa. Temos ainda férias, doenças… Estamos num patamar da velocidade de cruzeiro que eu adoraria manter (…), mas vamos trabalhando com o que temos”, observou.

Considerado estratégico, o consulado-geral em Nova Iorque tem um mandato que inclui não apenas a prestação dos serviços consulares, mas também todo um trabalho de apoio à promoção do país nas áreas de negócios e empresarial, de cultura e da língua portuguesa, num trabalho feito em estreita articulação com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), o Turismo de Portugal e o Camões — Instituto da Cooperação e da Língua.

Contudo, a falta de mão-de-obra e os baixos salários para funcionários consulares são um problema que tem afetado não só Nova Iorque, como outras secções consulares portuguesas ao redor do mundo.

Luisa Pais Lowe aproveitou para elogiar a equipa com que trabalha diariamente, a qual classificou como “genuinamente dedicada ao serviço” e com “um sentido de Estado e de serviço público raros“.

A próxima visita consular decorrerá neste dia na cidade Yonkers, nas instalações do ‘Portuguese American Community Center’.