O PSD/Matosinhos acusou esta quarta-feira uma junta de freguesia de fazer a limpeza de ruas e parques com produtos químicos nocivos para a saúde pública, já a mesma garantiu que o produto está autorizado e que a aplicação foi “casual”.

Durante a reunião pública do executivo municipal, o vereador social-democrata Bruno Pereira referiu que, no início deste mês, a União de Freguesia de Custoias, Leça do Balio e Guifões, em Matosinhos, no distrito do Porto, aplicou o produto fitofarmacêutico “Garlom GS” em áreas habitacionais, que tem “sérias implicações na saúde”.

“O uso destes herbicidas em ambiente urbano não pode ser aceite. Hoje é sabido que o uso de produtos fungicidas, herbicidas, inseticidas/acaricidas e rodenticidas de forma sistemática e generalizada nas cidades em Portugal tem sérias implicações na saúde“, sublinhou.

Segundo Bruno Pereira, há artigos científicos que demonstram que a utilização destes produtos potencia o aumento da incidência da doença celíaca, infertilidade, malformações congénitas, doença renal e autismo.

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O decreto-lei n.º 35/2017 prevê que não são permitidos tratamentos fitossanitários com recurso a produtos fitofarmacêuticos nos jardins infantis, parques urbanos, hospitais e outros locais de prestação de cuidados de saúde, sustentou.

Repudiando a utilização destes produtos químicos, o vereador, presidente da concelhia do PSD/Matosinhos, pediu maior fiscalização na aplicação destes em zonas urbanas, de lazer e vias de comunicação.

Presente na reunião, o presidente da União de Freguesia de Custoias, Leça do Balio e Guifões, Pedro Gonçalves, explicou que a utilização do “Garlom GS” visou a contenção de uma erva que se tem tornado persistente em Portugal – avoadinha peluda.

“Na última aplicação vimo-nos na necessidade de alterar o produto que habitualmente utilizamos — acido pelargónico (substancia ecológica extraída de plantas), substituindo por outros produtos, concretamente o Garlom GS, produto eficaz no combate à avoadinha peluda”, disse.

Pedro Gonçalves salientou que esta alteração foi “casual” e para conter o crescimento exponencial da erva em causa, em especial nas zonas de valeta e empedrados.

O produto está autorizado pela Direção-Geral de Agricultura e Pecuária (DGAV) para zonas urbanas e de lazer, garantiu ainda.