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Animais à solta, dança e vestidos de pernas para o ar. A semana de Alta Costura em sete coleções

Este artigo tem mais de 1 ano

A festa da Alta Costura voltou a tomar Paris. Houve animais à solta e muitos convites para dançar, na aldeia, nos clubes noturnos e até dentro de água. Escolhemos sete coleções imperdíveis.

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Uma modelo no desfile da casa Valentino

Getty Images

Uma modelo no desfile da casa Valentino

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Nem o frio de janeiro arrefece a ardente vontade que a moda tem de superação e surpresa. A Semana de Alta Costura fez de Paris o seu cenário e entre os dias 23 e 26 de janeiro foram apresentadas as coleções para a próxima primavera/verão. Deste exclusivo mundo onde o valores são tão elevados como a complexidade das técnicas dos artesão, chegam-nos imagens e algumas histórias de inspiração. Selecionámos sete coleções que marcaram estes dias em que a criatividade e a confeção se encontram no Olimpo da moda.

O inferno de Schiparelli

O arranque desta semana de Alta Costura deu que falar ainda antes das modelos pisarem a passerelle no primeiro desfile. Entre os convidados que se reuniram à entrada do Petit Palais, Kylie Jenner foi quem mais se destacou com vestido negro com uma grande cabeça de leão ao peito. A peça não era mais do que uma escultura hiper realista, mas a criação em espuma, lã e pelo falso em seda pintada à mão foi o suficiente para acender um rastilho de comentários com  a exploração animal como tema. O vestido era, afinal, uma criação da nova coleção que Daniel Roseberry apresentou de seguida. A inspiração para esta primavera/verão foi o Inferno de Dante.

Ao vestido do leão juntaram-se ainda um vestido com um leopardo das neves e um casaco com um lobo negro. Todos desfilados por modelos de renome, como Irina Shayk, Shalom Harlow e Naomi Campbell, respetivamente. Este desfile, que a própria marca descreveu nas redes sociais como “Inferno Couture”, contou com outras interpretações artísticas. Corpetes esculpidos, bordados tridimensionais e uma silhueta ampulheta exagerada ajudam a escrever a história desta coleção que teve a herança Schiaparelli e o vestuário masculino também como presenças notadas.

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Dior à boleia de Joséphine Baker

Maria Grazia Chiuri inspirou-se em Joséphine Baker e criou uma coleção ao ritmo dos anos 1920 e com o exotismo de quem pisa a linha dos limites. A artista, cantora e bailarina afro-americana que trocou os Estados Unidos pela criatividade de Paris foi, ela própria, cliente da casa Dior no seu tempo. Em 2023, a inspiração traduziu-se em peças delicadas com assinaturas da casa Dior. Sedas, veludos e lantejoulas dão brilho à coleção, enquanto as pregas, os drapeados e, claro, as franjas trazem movimento. A silhueta desenha-se, maioritariamente, com linhas retas, seguindo a inspiração dos anos 1920, numa elegância contida. A paleta de cores foi limitada a preto, dourados, cinzas e algumas pinceladas de cor no final.

O cenário, da autoria da artista afro-americana Mickalene Thomas, compôs a narrativa. As paredes da sala do desfile serviram de tela a retratos gigantes de mulheres conhecidas numa espécie de “novo panteão de mulheres”, segundo a Dior. Uma homenagem a uma série de mulheres negras ou birraciais, como por exemplo Nina Simone, Dorothy Dandridge, Donyale Luna ou Naomi Sims, além de Joséphine Baker. Estes retratos foram bordados pela Chanakia School of Craft sobre tela previamente estampada. Mais do que um cenário, o trabalho da artista materializa a união de arte contemporânea com Alta Costura. A estrutura criada para o desfile, no jardim das esculturas do Museu Rodin, vai manter-se numa instalação em exposição até 29 de janeiro. Não é a primeira vez que a artista trabalha com a Dior. Maria Grazia Chiuri já a tinha chamado para colaborar com a coleção cruise 2020, que foi apresentada em Marrocos.

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Viktor & Rolf às voltas com vestidos

Os primeiros cinco looks eram vestidos de cintura justa e saia rodada, todos em tons pastel, pareciam criados para um baile de debutantes e inspirados nos contos de fadas. Mas a partir daía. fada madrinha nos ateliers Viktor &Rolf parece ter perdido as instruções ou mesmo o controlo da sua varinha mágica. Os vestidos passaram a ser peças tridimensionais que as modelos usavam penduradas nos seus corpos em diferentes direções. Até houve uma modelo que desfilou com as suas pernas à mostra e um longo vestido de pernas para o ar. Em alguns dos 18 looks apresentados, os vestidos pareciam peças de puzzle mal encaixadas no corpo. Outros poderiam ser apostas de sonho para um evento de passadeira vermelha. A dupla de designers diz que “a Alta Costura é o laboratório de experimentação criativa” e, mais uma vez, deu que pensar a quem viu o seu desfile.

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Desfile Viktor & Rolf

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Uma festa na aldeia Chanel

E ao despertar do segundo dia da semana de Alta Costura os animais voltaram a invadir a passerelle. Para a terceira coleção em que Virginie Viard, a mulher ao leme das coleções Chanel, colaborou com o artista Xavier Veilhan decidiram ambos aventurar-se pelo reino animal. Tudo começou no apartamento da própria Gabrielle Chanel no nº. 31 da Rue Cambon, que é também a morada do atelier de Alta Costura desde sempre. “Para esta terceira participação, pedi-lhe para reinterpretar o bestiário do apartamento e para incorporar o seu próprio” conta Virginie em comunicado. Da casa de Mademoiselle trouxe leões, corças, veados, pássaros e camelos e depois juntaram-se também os gatos, coelhos, andorinhas e até os reais corgis.Os animais fizeram do clássico tweed o seu habitat natural e dominam todo o trabalho de bordados desta coleção.

O cenário do desfile desta vez foi inspirado numa praça de aldeia, como se de um festival este evento se tratasse. Contou com onze animais gigantes feitos em madeira, cartão e papel da autoria de Veilhan que foram muito mais do que ornamentos, eram na verdade como esconderijos de onde as primeiras modelos do desfile saíram.

Os elementos obrigatórios que uma verdadeira fã de Chanel quer ver estavam lá todos. Os fatos de várias cores ou os vestidos com folhos, rendas e transparências bordadas. Os tailleurs em tweed foram animados por formas e detalhes inspirados nos uniformes de paradas e nos fatos das majoretes, assim como outras peças como por exemplo capas, calções curtos e camisas plissadas. E até nos acessórios se deixaram contagiar, como os chapéus altos, as luvas brancas ou botas com laçada.

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A dança aquática de Iris van Herpen

A designer dos Países Baixos apresenta na semana oficial de Paris, mas na verdade as suas criações veem um mundo encantado muito próprio. Por vezes, talvez se aproximem mais da escultura do que do vestuário, mas há que juntar ainda a ciência e a tecnologia — estão lançados os dados que fazem a assinatura de Iris van Herpen. A designer disse à Vogue que quis criar uma coleção para ser usada debaixo de água, um meio onde é necessária mais força e onde se perde a voz, como símbolo do protesto feminino, com destaque para o caso do Irão.

A coleção tem apenas seis looks, mas a designer transformou-a numa poesia subaquática em vídeo com cerca de quatro minutos e contou com a ajuda de Julie Gautier, bailarina, mergulhadora, coreógrafa e realizadora francesa. Porque afinal, o sonho e a criatividade são dois dos motores que movem a Alta Costura, vale a pena espreitar.

Uma saída à noite com Valentino

Pierpaolo Piccioli pegou em dois universos de exceção, deu-lhes o seu toque de magia e serviu uma coleção de 89 looks. Ou seja, pegou na marca que herdou do lendário Valentino Garavani e levou-a para o clube, ou melhor, para um espaço sob a ponte Alexandre III, na noite parisiense. Os clubes da década de 1980 que inspiraram Piccioli, sejam de Nova Iorque ou de Londres, tinham em comum o facto de lançarem tendências de moda e serem espaços de criatividade. Para esta coleção, a marca diz ter encontrado “uma linguagem espontânea e sinergética” entre os mundos da Alta Costura e dos clubes noturnos, uma vez que ambos partilham valores como “gestos de extravagância, a noção de que as roupas são ferramentas de transformação, a criação de uma identidade, um vocabulário duplo de exibição e revelação, a performance através da vida”.

Como resultado, numa sala totalmente escura, os ícones da marca como os longos vestidos de corte impecável, as cascadas de folhos e ou amplos volumes sobressaíram ainda mais com cores em tons néons, os brilhos e plumas. A passerelle incluía uma passagem pela rua e debaixo da mítica ponte. “O inacreditável torna-se material, a imaginação torna-se real”, lê-se no comunicado da casa Valentino. O sonho e a beleza são fundamentais e uma das bandeiras de Pier Paolo Piccioli é a inclusão. Embora a Alta Costura seja um universo tão extraordinário quanto exclusivo, pelo menos o lado inspirador das suas coleções é democrático.

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