Uma mulher de 22 anos burlou mais de 15 investidores, num total de 1,5 milhões de euros, através de um esquema que envolveu nomes de membros do primeiro Governo do primeiro-ministro António Costa. A jovem, de Santa Maria da Feira, fez apostas no valor de 52 milhões de euros só no Casino de Espinho.
Segundo o Jornal de Notícias, através de e-mails com o timbre do ministério da Saúde, a mulher garantia às suas vítimas estar em contacto direto com António Lacerda Sales e Diogo Serra Lopes, à época ambos secretários de Estado da Saúde. O objetivo era convencer as vítimas a investir numa suposta rede de clínicas de psicologia com lucros garantidos por serem financiados pelo Estado.
Ao primeiro burlado, um construtor civil de Esposende, a mulher conseguiu roubar 887 mil euros, e um outro casal terá pedido dinheiro emprestado para dar 500 mil euros à jovem de 22 anos.
Os crimes aconteceram entre 2019 e 2021. Ao construtor civil, a mulher, que se apresentava como psicóloga, apresentou documentos com os logótipos do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, do Serviço Nacional de Saúde, do ministério da Saúde e do Hospital de Magalhães Lemos. A arguida, acusada pelo Ministério Público de Vila Nova de Gaia pelos crimes de burla qualificada, falsificação de documento e falsidade informática, convencia as vítimas que o investimento teria retorno uma vez que seria o Estado a pagar tudo.
Aos encontros com os investidores, a suposta psicóloga aparecia num carro Audi A4, conduzido por um motorista ao qual pagou 900 por mês, entre setembro de 2019 e março de 2020.
Detida em fevereiro do ano passado depois de uma investigação da Polícia Judiciária do Porto, a mulher de 22 anos terá ainda forjado os comprovativos de uma transferência bancária do ministério da Saúde para uma conta sua no valor de 2,8 milhões de euros.
Marta Temido, ministra da Saúde aquando da detenção da mulher, tomou conhecimento do caso e terá manifestado vontade de apresentar queixa assim como de apresentar um pedido de indemnização. Atualmente, a arguida encontra-se em prisão domiciliária.