Os passageiros da TAP deixaram expirar, no ano passado, 35,9 milhões de euros em vouchers emitidos durante a pandemia para viagens a que teriam direito e não realizaram, segundo o relatório e contas de 2022 citado pelo Público.
Este ganho, “numa ótica de prudência” por causa da “diversa legislação em vigor nos diversos mercados em que o grupo atua”, só foi ainda registado no balanço no caso do “mercado português”. A companhia aérea não detalhou quanto do valor dos quase 36 milhões de euros foi registado no mercado português.
No final de 2020, o primeiro ano da pandemia, a TAP emitiu em vouchers 282 milhões de euros, montante que caiu para 203 milhões em 2021 e 61 milhões em 2022. Recorrer aos vouchers foi a solução encontrada pela TAP, que não tinha tesouraria para pagar os reembolsos dos cancelamentos em dinheiro, o que fez com que a associação europeia de consumidores tivesse colocado a transportadora na “lista negra” dos reembolsos.
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De acordo com o relatório e contas, no final do ano passado a empresa tinha constituído uma provisão de 25,3 milhões de euros relativa a “indemnizações a passageiros, cujas reclamações se encontram a ser processadas pelo grupo”. O ano passado foi marcado por períodos de vários cancelamentos durante o verão e, por causa da greve dos tripulantes de cabina, em dezembro.
Segundo o documento, em 2022, foram transportados pela companhia aérea 13,7 milhões de passageiros, uma subida de 136% face a 2021, mas ainda abaixo dos 17 milhões de 2019. As receitas atingiram um recorde, de 3.485 milhões de euros por causa da subida dos preços, dos quais 3.072,4 milhões dizem respeito a passagens aéreas.