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Foi só na noite de sexta-feira que o mundo ficou a conhecer a intenção do líder do grupo Wagner de marchar com as suas tropas até à capital russa, mas ainda antes de Yevgeny Prigozhin dar o primeiro passo já os serviços de informação norte-americanos desconfiavam que estava a planear uma ação armada na Rússia.
Os sinais eram estavam à vista e foram detetados pelas agências de informação dos Estados Unidos, segundo avançou o jornal Washington Post. Uma situação não muito diferente de quando no ano passado os Estados Unidos tinham informações sobre a eminência da invasão russa da Ucrânia, que acabou por concretizar-se a 24 de fevereiro de 2022.
Desde meados de junho que as informações recolhidas pelos espiões norte-americanos apontavam para uma eventual revolta de Prigozhin contra a liderança militar russa. Ao longo das últimas duas semanas, a Casa Branca, oficiais do Pentágono, do departamento de Estado e também o Congresso norte-americano foram sendo informados da descoberta.
Segundo noticiou a CNN, além dos serviços de informação norte-americanos também os serviços ocidentais viram sinais de que o grupo Wagner estava a preparar uma jogada, nomeadamente reunindo armas e munições. “Aconteceu tudo muito rápido”, apontou uma fonte que falou em anonimato ao canal de notícias, acrescentando que não era claro o nível da ameaça de Prigozhin à liderança militar russa.
O conflito entre o líder do grupo Wagner e as chefias militares russas é bem conhecido. Yevgeny Prigozhin nunca escondeu e foi na verdade bastante vocal nas críticas dirigidas em particular ao ministro da Defesa, Sergei Shoigu, e ao Chefe do Estado-maior, Valery Gerasimov — também comandante das tropas russas na Ucrânia.
A tensão subiu de nível quando, a 10 de junho, Sergei Shoigu tentou absorver a milícia nas forças armadas russas, recebendo de Prigozhin uma já esperada oposição cerrada. Tudo culminou com o líder do grupo Wagner a anunciar, na sexta-feira, uma insurreição contra a liderança militar e uma marcha até à capital russa, que acabou por ser interrompida para evitar um “banho de sangue”.