Marraquexe é provavelmente a cidade mais visitada de Marrocos. São mais de dois milhões de turistas por ano. Razões não faltam: tantas que em 1985 a Unesco a declarou como Património da Humanidade. Agora, alguns monumentos históricos ficaram seriamente danificados pelo sismo de magnitude 6.9 que esta sexta-feira à noite teve o seu epicentro precisamente 70 km a sul, na cordilheira do Atlas, já com vista para o Saara.

A enorme medina, a cidade velha de Marraquexe, é uma das maiores atrações turísticas. Dentro dos cerca de 700 hectares, não há quem lá vá que não visite a Praça de Jemaa el Fna ou a mesquita de Koutubia. Mas há mais, muito mais para ver. Ou havia. Porque nem tudo ficou de pé depois da tragédia desta sexta-feira.

Casas da cidade velha

Por ser exatamente a zona mais antiga da cidade, muitas casas não resistiram e desmoronaram-se no centro da medina. Na manhã deste sábado, as autoridades de Marraquexe encerraram pelo menos duas ruas devido a desmoronamentos, a de Riad Zitoun Lakdim e a de Khasbah.

Segundo a Reuters, havia pessoas a tentar retirar pedras e escombros com as próprias mãos, enquanto aguardavam pelas equipas de emergência.

O minarete que não resistiu na Praça de Jemaa al-Fna

A grande praça Jemaa al-Fna é o centro da medina de Marraquexe, onde se encontra de tudo, desde encantadores de serpentes a vendedores de qualquer coisa, até dançarinos e animadores de rua. Foi nesta praça que muitos marroquinos e turistas passaram a noite, ao relento, depois do sismo, correndo para lá como ponto de encontro ou de refúgio.

Na praça, logo à entrada de Marraquexe, fica uma mesquita do séc. XI, que a Unesco declarou património cultural da humanidade em 2001. Mas o seu minarete, a torre, não resistiu ao abalo de 6.9. Caiu e terá mesmo ferido algumas pessoas, segundo a AFP.

E aquele que abanou mas está de pé na mesquita de Koutubia

Mas a maior e mais conhecida mesquita de Marraquexe é a Koutubia. Neste caso, o minarete do edifício religioso muçulmano, construído no século XII, terá sofrido vários danos, ainda impossíveis de contabilizar, abanou imenso, mas não caiu.

Há inúmeros vídeos nas redes sociais em que se vê, nos primeiros minutos do sismo, a torre, de 69 metros de altura, a abanar, literalmente, de um lado para o outro, envolta numa nuvem de pó, mas sem se desmoronar, apesar de ser esse o receio de quem filmava. Conhecido como o teto de Marraquexe, o minarete continua de pé, ainda que coberto de uma camada de pó.

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As muralhas vermelhas

A cidade velha de Marraquexe, como a maioria deste tipo de cidades, é rodeada de muralhas. Mas estas são de um tom avermelhado e, por isso, também uma atração da cidade, conhecida precisamente por “cidade vermelha”.

Parte da muralha, edificada no séc. XII com a areia vermelha que lhe dá a cor (quer à muralha, quer à maioria dos edifícios que usaram o mesmo material), terá ficado danificada. Mas é ainda impossível quantificar o nível dos danos.

https://twitter.com/941Rickster/status/1700553967661420969

Outros monumentos turísticos, como o Palácio da Bahia e as Tumbas Saadianas, foram encerradas, mas não se sabe se sofreram danos.

Foi na região de Marraquexe que se registou o maior número de vítimas.