A Polícia Judiciária está a analisar se um texto publicado pelo inspetor-chefe Paulo Ferrinho nas redes sociais viola os deveres de isenção e imparcialidade do código deontológico dos trabalhadores da polícia criminal. A notícia é da edição desta terça-feira do Diário de Notícias, que cita uma fonte da Direção Nacional da PJ.

Na publicação partilhada no Facebook e Linkedin na semana passada, Paulo Ferrinho escreve que “atendendo às condições políticas do país” e “à possível polarização de votos em vários partidos”, “Pedro Nuno Santos é o único capaz de agregar as esquerdas para poder formar Governo”. José Luís Carneiro “não tem, ainda, os apoios no partido e sociedade civil, nem dimensão nacional que possa ombrear e concorrer, em igualdade de circunstâncias, com Luís Montenegro”, acrescenta.

Ao Diário de Notícias, Paulo Ferrinho recusa ter cometido qualquer violação do código deontológico dos trabalhadores da PJ. “Não faço nenhum apoio a Pedro Nuno Santos”, contesta, argumentado que fez uma análise, “enquanto cidadão ativo”. Afirma também não ter conhecimento oficial de que o seu texto será alvo de análise pela Direção de Serviços de Disciplina e de Inspeção da Polícia Judiciária (PJ), que é dirigida pela procuradora-geral adjunta Luísa Carrajola.

Excerto do texto publicado por Paulo Terrinho no Linkedin

“Se os inspetores da PJ não puderem, enquanto cidadãos, ter liberdade de expressão é que passam a ficar com a sua capacidade diminuída”, disse ao mesmo jornal. Ferrinho sublinha que o código deontológico não pode ser “um voto de silêncio e de clausura”.

Ferrinho, responsável pela Unidade Local de Investigação Criminal (ULIC) de Évora da PJ entre outubro de 2021 e junho de 2022, começou no mês passado a ser julgado por três crimes, pelas alegadas agressões ao inspetor Jorge Lentilhas, ocorridas a 11 de fevereiro do ano passado. Ferrinho nega ter agredido colega nas instalações de Évora.