No último mês de dezembro, Chiara Ferragni tem se visto envolta numa polémica que remonta ao final de 2022. Em causa está um bolo de Natal — um pandoro Balocco com a marca Ferragni — que a influencer italiana promoveu naquele ano fazendo acreditar que a venda remetia para uma instituição de caridade, destinada a investigar o cancro dos ossos no Hospital Regina Margherita, em Turim. Em junho, a autoridade da concorrência italiana (AGCM) anunciou uma investigação sobre o caso e denunciou que as vendas do produto não tiveram nenhum efeito sobre as doações para a causa solidária, uma vez que, mesmo antes do lançamento do bolo, a Balocco já tinha efetuado uma doação de 50 mil euros ao hospital. A polémica adensa-se quando a AGCM denuncia ainda que, com a iniciativa, as empresas de Chiara Ferragni arrecadaram mais de um milhão de euros e não deram dinheiro ao hospital.

No seguimento da investigação, a 15 de dezembro, a AGCM multou a influencer e o fabricante Balocco em 1,075 milhões de euros e 420 mil euros, respetivamente, por práticas comerciais desleais. Segundo a AGCM, citada na BBC, a publicidade enganosa explorou a “sensibilidade dos consumidores em relação às iniciativas de caridade, nomeadamente as que se destinam a crianças com doenças graves”. Este facto viola o código do consumidor italiano e constitui uma prática comercial desleal, acrescentou.

Rotulado como tendo sido desenhado por Chiara, o “Pandoro Pink Christmas” foi vendido em Itália, no final de 2022, pelo valor de mais de nove euros cada, mais do dobro do preço do clássico pandoro da Balocco, que costuma ser vendido por menos de quatro euros.

Depois do silêncio, a influencer italiana recorreu à sua página de Instagram, onde conta com quase 30 milhões de seguidores, para fazer um pedido de desculpas, afirmando ter cometido um “erro de boa fé” ao associar “uma atividade comercial a uma atividade de solidariedade através da comunicação”.

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“Vou doar um milhão de euros ao Regina Margherita para apoiar a assistência à infância”, afirmou, acrescentando: “Nos próximos dias, falarei com o Regina Margherita para perceber como é que o hospital vai utilizar a verba que doei e, periodicamente, dar-vos-ei informações atualizadas. O meu erro permanece, mas quero garantir que algo construtivo e positivo possa nascer a partir deste erro.” Chiara avançou ainda que vai recorrer da decisão da AGCM por considerar a multa “desproporcionada e injusta”.

Ainda dentro da polémica, também a primeira-ministra italiana, Giorgina Meloni, se fez ouvir, criticando os influencers que promovem “bolos caros que fazem as pessoas acreditarem que são caridosas”, mas sem nunca fazer uma referência direta a Ferragni. “Os verdadeiros modelos a seguir não são os influencers que ganham muito dinheiro a vestir roupas e a mostrar malas… ou mesmo a promover bolos caros que fazem as pessoas acreditarem que são caridosas”, afirmou a líder de extrema-direita italiana, citada pela Reuters.

Desde o início da polémica, Chiara tem vindo a perder tanto parcerias como seguidores. Logo na semana a seguir ao caso ter vindo a público, a sua conta de Instagram ficou com menos 90 mil seguidores, cerca de 0,3% da sua comunidade, segundo avança a DeRev. Entretanto, também o grupo italiano Safilo, que detém marcas como Carrera, Marc Jacobs ou Ray-Ban, cancelou o acordo de licenciamento para design, produção e distribuição da coleção de óculos da marca Chiara Ferragni “na sequência da
violação dos compromissos contratuais assumidos pelo proprietário da marca”, pode ler-se no comunicado.

Depois de criticada nas redes sociais, com comentários negativos das suas publicações, a influencer vê agora a sua marca ser também atacada. Segundo avança a agência ANSA, a sua loja na Via del Babuinno, em Roma, foi alvo de vandalismo durante a noite de passagem de ano. Nas montras escreveram as palavras “bandida” e “golpista”.