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Jack Teixeira, o lusodescendente de 22 anos que era suspeito de divulgar informação confidencial do Pentágono na rede social Discord, deu-se esta segunda-feira como culpado dos seis crimes de retenção e transmissão internacional de informações de que era acusado, acabando por aceitar uma pena de 16 anos de prisão.
A notícia foi avançada pela ABC News, alguns dias após o New York Times informar, citando duas fontes conhecedoras do processo, que o antigo militar da Guarda Aérea Nacional do Massachussets pretendia aceitar o acordo, de forma a reduzir a pena de 60 anos de prisão.
Esta segunda-feira, na audiência pedida pelos procuradores ao juiz para a mudança de confissão, Jack Teixeira concordou, então, ter causado “uma das mais extraordinárias fugas de informação relativa aos segredos da defesa nacional”, aceitando passar 16 anos na prisão, ser interrogado pelos departamentos de Justiça e da Defesa e devolver qualquer material que ainda tenha consigo.
Em troca, o Ministério Público dos Estados Unidos da América (EUA) concordou em não formular acusações que estivessem ao abrigo da Lei da Espionagem.
Jack Teixeira foi detido a 6 de abril do ano passado pelo FBI, por ser suspeito de uma fuga de informação sobre o equipamento militar que os EUA estavam a enviar para a Ucrânia e sobre como esteve ia ser enviado e utilizado.
Para chegar à identidade do jovem, que é neto de açorianos, o FBI recorreu a um interrogatório feito a uma testemunha, mencionada no depoimento como “utilizador 1”, que era uma das utilizadoras do canal de Discord liderado por ele, Thug Shaker Central.
Este grupo servia para os membros discutirem geopolítica mundial e história militar, tendo as autoridades chegado à conclusão que Jack Teixeira não partilhou logo os documentos, tendo primeiro divulgado apenas algumas transcrições, escritas na base militar onde servia. Esta partilha terá começado em janeiro de 2022, segundo revelou o Departamento de Justiça. Só mais tarde, quando começou a temer ser apanhado, é que foi levantar os documentos, fotografando-os em casa.
Os procuradores acusaram o jovem de ter continuado a partilhar informações no grupo, mesmo após ter sido avisado por superiores pela visualização inadequada de documentos confidenciais.
A defesa de Jack Teixeira ainda pediu que este fosse libertado, mas o procuradores pressionaram o juiz a mantê-lo preso, devido ao arsenal de armas encontrado em sua casa e a algumas publicações “perturbadoras” nas redes sociais, onde disse que gostaria de matar “uma tonelada de pessoas”.
Em dezembro, a Força Aérea dos EUA decidiu sancionar 15 elementos da unidade do jovem, por terem permitido que o crime fosse cometido e por não terem denunciado quando testemunharam atividades questionáveis. Estes membros, pertencentes também à 102.ª Unidade de Inteligência da base receberam castigos que foram desde a demissão dos cargos a “punições não judiciais”.
Força Aérea dos EUA pune militares por fugas de informação de Jack Teixeira