Eram poucas centenas, tinham pele e cabelo escuro e olhos castanhos. Há 45 mil anos chegou à Europa uma nova espécie de humanos oriunda de África que acabou por se extinguir misteriosamente e que não deixou qualquer vestígio na genética do humano atual. O ADN recolhido neste grupo é o mais antigo de humanos modernos (sapiens) até ao momento, escreve o The Telegraph.

“Estes são os genomas mais antigos que temos dos humanos modernos. Representam uma linhagem genética que não tem descendentes e que mais tarde se extinguiu”, explica Johannes Krause, um dos autores do estudo:”Os genomas mais antigos do Homem moderno condicionam o momento da mistura com o Neandertal”, publicado esta quinta-feira.

Trata-se de uma espécie perdida, que, em pequenos grupos, saiu de África em direção à Europa e se espalhou pelo continente, desde o Reino Unido à Polónia. Foi encontrado ADN em ossos em Ranis, na Alemanha, o que permitiu concluir que alguns dos membros que compunham estes grupos eram parentes próximos — como mãe e filha — sendo a primeira vez que se encontrou uma relação direta entre restos mortais de humanos antigos. Estas duas mulheres, por exemplo, estavam também relacionadas com uma terceira, que foi descoberta a cerca de 240 quilómetros de distância, já na República Checa.

Neandertais e humanos modernos podem ter cohabitado mais de dois mil anos em França

Apesar de existirem ligações entre as pessoas desta espécie, não há qualquer ligação com os atuais humanos, uma vez que o grupo foi extinto. O verdadeiro motivo ainda está por confirmar, mas os investigadores acreditam que o seu desaparecimento foi causado por uma enorme erupção vulcânica em Itália, que terá coberto a Europa com uma grande nuvem de cinzas que asfixiou humanos e animais.

Johannes Krause, investigador do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha, considera que os resultados do estudo publicado pela revista Nature “permitem-nos uma compreensão mais profunda dos primeiros pioneiros que se estabeleceram na Europa”. E acrescenta que, apesar de estarem espalhados por todo o continente, eram um grupo de pequena dimensão: “A dimensão populacional deste grupo de primeiros humanos modernos era bastante pequena, apenas cerca de 200 humanos, o que é extremamente baixo tendo em conta a área de distribuição.”

O cruzamento de ADN feito pelos investigadores permitiu ainda concluir que os genes desta espécie perdida chegaram a cruzar-se com os dos Neandertais e houve mesmo descendência. Mas depois de este grupo se mudar para o continente europeu, o ADN desta espécie deixou de apresentar uma mistura entre as duas espécies.