Várias pessoas foram atropeladas num mercado de Natal de Magdeburgo, na Alemanha, na passada sexta-feira. O atacante foi detido pela polícia enquanto fazia marcha-atrás com o BMW que conduzia, avança a imprensa alemã. Há pelo menos cinco pessoas mortas, uma delas uma criança de nove anos, confirmaram as autoridades governativas locais. A atualização do número de vítimas foi feita este sábado, com a confirmação de que há 205 feridos, dos quais 41 estão em estado grave.

O primeiro-ministro da Saxónia-Anhalt, Rainer Haseloff, revelou que o suspeito do crime é um médico da Arábia Saudita que trabalha na região e terá entrado na Alemanha em 2006. Segundo informações da revista alemã Der Spiegel, o detido nasceu na cidade saudita de Hofuf e chama-se Taleb al-A. Terá chegado à Alemanha em março de 2006, tendo sido reconhecido como refugiado em julho de 2016 e detinha atualmente a residência permanente. É especialista em psiquiatria e psicoterapia e, segundo informações dos círculos de segurança, citados pela MDR, não estava referenciado pelas autoridades alemãs.

Segundo o porta-voz da cidade, Michael Reif, o atropelamento está a ser classificado como um “ataque ao mercado de Natal”. No entanto, ainda não é conhecida uma motivação para o ataque. De acordo com o jornal regional Mitteldeutsche Zeitung, citado pelo The Guardian, a polícia efetuou buscas na casa do alegado autor do crime. Ao todo, o suspeito já está acusado de cinco crimes de homicídio e 205 de tentativa de homicídio.

Este sábado, o procurador-geral de Magdeburgo confirmou que ainda não são claras as motivações do atacante. Em conferência de imprensa reconheceu, porém, “que o contexto pode ser o descontentamento com a forma como os refugiados sauditas são tratados na Alemanha”.

Depois de uma análise a um perfil nas redes sociais que se acredita pertencer a Taleb, a imprensa alemã avançou que o médico era um simpatizante do partido de extrema-direita AfD e um fã das ideias defendidas por Elon Musk, Tommy Robinson e Alex Jones. Na sua “biografia” na rede social X, o utilizador que se apresenta como Taleb Al Abdulmohsen descreve-se como “oposição militar saudita” e defende que a “Alemanha persegue as mulheres sauditas requerentes de asilo, dentro e fora da Alemanha, para destruir as suas vidas” No fim, Al Abdulmohsen acredita que a “Alemanha quer islamizar a Europa“.

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Dias antes do ataque, avança a imprensa alemã, o médico saudita deu uma entrevista a um site dedicado à partilha de conteúdo centrado na defesa dos “valores judaico-cristãos”, o RAIR Foundation USA. Nessa entrevista, Taleb defende as ideias já partilhadas na sua conta no X, nomeadamente sobre a “islamização silenciosa da Alemanha”, uma “agenda deliberada pelo Ocidente” e “a utilização da crise de migração como uma arma”.

Nas redes sociais, circula uma suposta imagem do atacante, bem como um vídeo do momento em que este é detido pela polícia alemã.

A polícia de Magdeburgo isolou o local porque havia suspeitas de um explosivo no carro do autor do crime, mas a análise ao local desmentiu essa hipótese. O carro com que o autor do crime se dirigiu para a multidão, “pelo menos 400 metros adentro do mercado de Natal”, terá sido alugado.

Um vídeo da MDR a ser difundido nas redes sociais, verificado pela CNN, mostra o BMW em alta velocidade a entrar pela feira de Natal e a atropelar várias pessoas depois de ultrapassar as barreiras de segurança. Seguia em direção ao edifício da câmara municipal. Junto à feira existe também um centro comercial. Noutros vídeos é possível ver várias pessoas no chão e as equipas de segurança e de emergência no local.

Todos os hospitais da cidade alemã de Magdeburgo se prepararam “para um evento de vítimas em massa”, afirmou um porta-voz, citado pela Sky News. O mesmo jornal avançou que um segundo mercado em Erfurt, no centro da Alemanha, foi evacuado.

“Os relatórios de Magdeburgo sugerem que algo de mau está prestes a acontecer“, afirmou o chanceler alemão Olaf Scholz na rede social X. “Os meus pensamentos estão com as vítimas e as suas famílias. Estamos ao seu lado e ao lado da população de Magdeburgo. Os meus agradecimentos às equipas de salvamento dedicadas nestas horas de angústia”, acrescentou.

A polícia de Magdeburgo partilhou no X um portal em que os presentes na feira onde ocorreu o ataque podem carregar fotografias e vídeos captados na noite desta sexta-feira para auxiliar na investigação.

A situação lembra o ataque terrorista ao mercado de Natal na Breitscheidplatz, em Berlim, a 19 de dezembro de 2016, que matou 13 pessoas e deixou outras 70 feridas. Um terrorista islâmico sequestrou camião e e entrou no mercado de Natal repleto de pessoas em vésperas de Natal. A ministra alemã da Administração Interna, Nancy Faeser, tinha recentemente apelado ao público para estar vigilante nos mercados de Natal, sem mencionar quaisquer ameaças específicas. Os serviços de informação alemães alertaram recentemente para o facto de os mercados de Natal serem um “alvo ideologicamente adequado para pessoas motivadas pelo islamismo”.

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Musk pede demissão imediata de Scholz, um “tolo incompetente”. Chanceler pede “unidade” no país

Olaf Scholz visitou a cidade de Magdeburgo na manhã deste sábado, onde fez questão de destacar a situação dos mais de 40 feridos graves que diz estarem a “preocupar as autoridades”. “Eu, como chanceler, falo em nome de todos os que têm responsabilidades neste país e queremos prestar as nossas condolências”, declarou o chefe de governo alemão.

Embora as motivações do atacante ainda não sejam totalmente claras, Scholz apelou a que este seja levado à Justiça. “Temos de nos manter unidos e vamos manter-nos unidos no rescaldo [do ataque]”, assegurou. “Temos de garantir que o ódio não determina a nossa coexistência e que não deixamos que aqueles que querem semear ódio saiam impunes.”

Várias figuras públicas já se manifestaram publicamente sobre o episódio através das redes sociais, como é o caso do dono da rede social X, Elon Musk — ainda antes da imprensa alemã avançar que o atacante é sem apoiante. O magnata acredita que Olaf Scholz se deve demitir “imediatamente” e descreve o chanceler alemão como sendo um “tolo incompetente“.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse estar chocado com o atropelamento e manifestou a sua solidariedade com as vítimas. “Estou chocado com as notícias horríveis de Magdeburg. Os meus pensamentos estão com as vítimas e as suas famílias”, escreveu o antigo primeiro-ministro, na mesma plataforma, acrescentando que a “União Europeia está solidária com a Alemanha”.

Também na liderança europeia, Ursula von der Leyen expressa as suas condolências às famílias e amigos das vítimas, deixando uma mensagem de agradecimento às autoridades e profissionais de saúde no local. “Este ato de violência deve ser investigado e castigado severamente”, escreve ainda a presidente da Comissão Europeia.

O Presidente dos Estados Unidos da América revelou este sábado que está em “contacto próximo” com as autoridades alemãs e que está disponível para oferecer todos os recursos e assistência necessária. “Os Estados Unidos estendem as suas mais profundas condolências ao povo da Alemanha (…). Nenhuma comunidade e  nenhuma família deveria ter de passar por um evento tão desprezível e sombrio, especialmente poucos dias antes de um feriado de alegria e paz”, disse Joe Biden em comunicado.

Luís Montenegro reagiu ao ataque também no X. “Condeno veementemente o horrendo ataque no mercado de Natal de Magdeburgo, na Alemanha. Expresso solidariedade ao povo alemão e ao Chanceler Scholz, sentidas condolências às famílias das vítimas e votos de recuperação aos feridos”, escreveu na rede social.

Também o Presidente da República manifestou “a sua profunda consternação perante o ataque horrendo num mercado de natal em Magdeburgo, na Alemanha, e reitera o repúdio de toda a violência contra civis”. Marcelo Rebelo de Sousa utilizou o site da Presidência da República para apresentar “as suas profundas condolências aos familiares das vítimas mortais, deseja uma rápida recuperação aos feridos e envia uma mensagem de sentida solidariedade ao povo alemão”.

O ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, o país de origem de Taleb, deixou também a sua condenação pelo atropelamento, “expressando a sua solidariedade com os alemães e com as famílias das vítimas”, na rede social X.