“É um tipo verdadeiramente mau, um tipo mesmo muito mau. Fiz da minha missão pessoal derrubá-lo”. Steve Bannon, antigo conselheiro de Donald Trump durante o seu primeiro mandato, comprometeu-se a “correr” com Elon Musk da administração do republicano, ainda antes da tomada de posse da próxima semana.
Em entrevista ao Corriere della Sera, o chefe de estratégia da Casa Branca nos primeiros sete meses de Trump na liderança dos EUA criticou fortemente as posições defendidas por Musk, particularmente sobre o tema da imigração e dos vistos H-1B. Estas autorizações permitme que empresas norte-americanas, como a SpaceX e a Tesla, contratem “profissionais qualificados e talentosos” que venham de fora dos EUA, medida contestada por outros afiliados do movimento liderado por Donald Trump, que apresentam opiniões mais restritas da imigração, opondo-se totalmente a este regime e defendendo que estes cargos sejam preenchidos por norte-americanos.
“O problema é que os senhores da tecnologia utilizam estes vistos para seu benefício próprio e as pessoas estão furiosas”, justifica Bannon. Sublinhando esta posição, diz também que não vai permitir que o magnata nascido na África do Sul tenha “um acesso sem restrições à Casa Branca”, apesar de já não ter qualquer envolvimento direto com o departamento que outrora integrou. “Expulsei-o da Casa Branca todos os dias durante 30 dias seguidos em 2017, quando estava à procura de subsídios à custa dos trabalhadores norte-americanos, para reescrever software da Tesla”, revela.
Bannon afirma também que Musk integra um conjunto de “bilionários sul-africanos brancos”, que “devem regressar à África do Sul”, sendo as “pessoas mais racistas do mundo” segundo o antigo aliado de Trump. “Tem a maturidade de uma criança”, acrescenta, dizendo também que o círculo do Presidente eleito dos EUA já está “farto dele”, e é por isso que o foco de Musk tem estado na política europeia. “Apoiei o cheque de 250 milhões de dólares que ele passou a Trump e apoio o seu envolvimento com movimentos de extrema-direita na Europa: espero que ele passe cheques e lhes dê uma plataforma. O que não é bom é que, de repente, ele tente aplicar as suas ideias falhadas que visam implementar o tecno-feudalismo à escala global“, esclarece.
Steve Bannon, que não integra esta administração de Donald Trump, esteve preso durante quatro meses por se ter recusado a cooperar com a investigação ao ataque ao Capitólio no dia 6 de janeiro de 2021, após a derrota do republicano nas eleições presidenciais que elegeram Joe Biden para a presidência dos EUA. Foi libertado em outubro.
Steve Bannon, antigo conselheiro de Donald Trump, foi libertado da prisão