É o novo talento de ouro da geração espanhola. Não é de agora, afinal Carlos Alcaraz começou a despontar há um par de anos e, apesar dos tenros 21 anos, é cada vez mais uma certeza do que propriamente uma promessa para o futuro. Em 2025, a temporada do espanhol começou no primeiro Grand Slam, o Open da Austrália, e em grande estilo. Apesar de ter vencido os dois primeiros jogos por 3-0, contra Alexander Shevchenko e Yoshihito Nishioka, o que deu que falar não foram as prestações dentro do court, mas sim os… músculos, a fazer lembrar Rafa Nadal.

Nuno Borges vence Jordan Thompson e marca encontro com Alcaraz na terceira ronda do Open da Austrália

Com o corpo cada vez mais desenvolvido, Alcaraz apresentou-se na Austrália com uma camisola sem mangas que permite perceber o desenvolvidos dos músculos que envolvem cada batida na bola. Em jeito de brincadeira, o espanhol foi questionado sobre esta evolução no final da última partida e respondeu com pompa e circunstância: “O meu preparador físico [Alberto Lledó] pode estar feliz com os meus bíceps. Provavelmente já cresceram, não sei. Muitas pessoas dizem-me isso e fico feliz por ouvir”. Quando chegou ao circuito ATP, Carlos primava pela rapidez no court. Agora, quer ser mais consistente nas batidas.

O objetivo é simples e passa por superar Jannik Sinner e regressar ao topo do ranking. Para tal, Carlos Alcaraz precisa de força em todos os momentos do jogo, desde o serviço aos golpes de esquerda e direita. Até ao momento e apesar de ter disputado apenas dois encontros, percebe-se que o plano foi delineado ao detalhe e está plenamente em andamento. Frente a Nishioka, o murciano foi um rolo compressor no serviço ao atingir os 14 ases e a fixar a sua média perto dos 200 km/h, registando pancadas na ordem dos 210 km/h. “Sou um robot no serviço?”, escreveu depois da vitória.

“Falei com o Juan Carlos [Ferrero, o treinador] sobre o que fiz de errado e o que fiz de bom. Hoje senti-me mais confortável. Claro que tenho que melhorar muito se quiser inscrever o meu nome na lista de vencedores [do Open da Austrália]. A precisão é uma das chaves [do serviço]. Na maioria dos serviços coloquei a bola onde queria. Tenho me sentido muito bem com a movimentação, com o ritmo e com o lançamento da bola. No primeiro jogo foi um pouco difícil lançar a bola, mas neste não.  Vemos os números e as percentagens, mas não muito. Têm que ser mais altos, isso é certo, mas neste momento o importante é bater na posição correta. Não me importo com a falha”, referiu o tenista sobre a nova abordagem.

[Já saiu o quinto episódio de “A Caça ao Estripador de Lisboa”, o novo Podcast Plus do Observador que conta a conturbada investigação ao assassino em série que há 30 anos aterrorizou o país e desafiou a PJ. Uma história de pistas falsas, escutas surpreendentes e armadilhas perigosas. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro e aqui o quarto episódio]

Em tempos, também Rafa Nadal e Novak Djokovic passaram por uma transformação no seu jogo, de modo a que o seu serviço fosse mais incisivo, e assim evitar desgastes desnecessários, melhorando a colocação da bola. “O serviço está a ganhar muita força pelo tipo de jogo que existe. Para mim, Djokovic tem um serviço muito bom, não é um dos melhores, mas mesmo assim chegou onde chegou. Tento melhorar, ser cada vez melhor, mas não ser bom a servir não significa que não se vai ganhar mais torneios”, acrescentou Alcaraz, frisando que “confia” no progresso.

Depois do físico e das camisolas, as comparações com Nadal não se ficam por aí. A afición encontrou outra comparação na forma como Alcaraz dispõe as bebidas junto ao banco. Desde há vários anos que Carlos coloca a água do lado direito e a bebida energética do lado esquerdo e, recentemente, foi “apanhado” a passar algum tempo a alinhá-las. “Se antes me chamavam de mini-Rafa, agora nem vos conto… não é um tique propriamente dito, mas simplesmente gosto de as ter bem alinhadas. Não tanto quanto o Rafa, obviamente, porque ele tem que deixá-las perfeitas. Procuro sempre mantê-las alinhadas”, revelou.