Pela primeira vez o Louvre recebe uma exposição dedicada à relação da arte com a moda. Na coleção do museu de arte mais visitado do mundo não há peças de roupa, apenas treze mantos da Ordem do Espírito Santo, que datam dos séculos XVIII e XIX. Entretanto, com a ajuda de 45 maisons e criadores ao redor do mundo, a exposição “Louvre Coutoure: Objets d’art, objets de mode” abre ao público esta sexta-feira, 24 de janeiro, e exibe um diálogo inédito entre as peças do departamento de Objetos de Arte do museu e itens históricos de designers da moda contemporânea, como Jean Paul Gaultier, Balenciaga ou Dior, com criações de 1960 a 2025.

São setenta e uma silhuetas e cerca de trinta acessórios distribuídos em salas e galerias que totalizam 9 mil metros quadrados. “Nas conexões e ecos criados por esta subtil apresentação, lemos a profundidade histórica, artística e poética da relação que a moda mantém com os objetos de arte e as artes decorativas. Em troca, descobrimos outra forma de ver algumas das maiores obras-primas do Louvre, de Bizâncio ao século XIX, através do prisma de como os criadores de hoje as olham”, diz Laurence des Cars, a diretora do museu.

A curadoria é de Olivier Gabet, o diretor do departamento de Objetos de Arte do Louvre. Quem visitar a exposição poderá ver, por exemplo, um casaco bordado desenhado por Karl Lagerfeld para a Chanel em 2019 que foi inspirado numa cómoda Mathieu Criaerd do século XVIII, parte da coleção do museu. Ou as peças da coleção outono/inverno 1990-1991 de Hubert de Givenchy, inspiradas nos motivos ornamentais dos armários do século XVII de André-Charles Boulle.

A exposição ainda traz outros exemplos de criadores que beberam das mais diversas peças históricas e obras de arte expostas no Louvre. “As artes decorativas do Renascimento italiano para Maria Grazia Chiuri na Christian Dior, a arquitetura gótica para Iris van Herpen, bustos relicários para Daniel Roseberry e a casa Schiaparelli, armaduras para Demna e Balenciaga, tapeçaria medieval para Marine Serre ou Dries Van Noten, cerâmica Palissy para Alexander McQueen ou Matthieu Blazy e Bottega Veneta, iguarias do século XVIII de John Galliano, Nicolas Ghesquière ou Christian Louboutin. E um pouco de tudo isso em Jonathan Anderson, Versace, Dolce&Gabbana e Vivienne Westwood. Alguns destes diálogos são, portanto, escolhidos de forma mais livre, mas não são menos precisos. Os museus são locais de conhecimento, mas também de deleite e prazer”, declara Olivier Gabet.

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A organização do espaço foi pensada por Nathalie Crinière, especializada em cenografia e arquitetura interior, responsável por exposições anteriores de peças Dior ou Versace. O percurso segue uma ordem cronológica, começando com obras em ouro, marfim ou pedras preciosas da Idade Média, passando por salas renascentistas com cerâmicas, armaduras e tapeçarias, seguindo para as produções do século XVIII. A exposição termina com peças do século XIX, nos apartamentos de Napoleão III.

A mostra abre portas durante a Semana de Moda de Paris masculina, que decorre até 26 de janeiro. Já a 4 de março, durante a Fashion Week feminina, o espaço vai receber o “Le Grand Dîner du Louvre”, um jantar para arrecadar fundos para o museu. Mais de 30 mesas foram colocadas à venda e a meta de 1 milhão de euros para abrir o evento já foi atingida, com a contribuição das mesmas casas e designers que emprestaram peças para a mostra. Para os meros mortais, visitar a exposição custa o preço de um bilhete para o Louvre – 22 euros, aberto de quarta a segunda, a partir das 9h. Nas quartas e sextas o museu fica aberto até mais tarde, 21h, nos outros dias fecha às 18h. Todos os dias às 15h30 há uma visita guiada de cerca de uma hora e meia pela exposição. Para ver até 21 de julho.