O governo liderado pelo primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, está debaixo de fogo. Esta sexta-feira, cerca de 100 mil pessoas saíram às ruas de Bratislava para pedirem novas eleições e também para criticar a aproximação à Rússia. Alguns parceiros governamentais estão apreensivos, a oposição já apresentou uma moção de censura e conta com um aliado: o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Durante os protestos desta sexta-feira à noite, o Presidente da Ucrânia comentou, na sua conta pessoal do X (antigo Twitter), uma fotografia das manifestações. A legenda, em eslovaco, não podia ser mais clara: “Bratislava não é Moscovo. A Eslováquia é Europa”. Volodymyr Zelensky voltava a criticar Robert Fico, que, no final de dezembro, encontrou-se com o Presidente russo, Vladimir Putin — e, desde aí, a relação entre os dois líderes azedou.

Em reação à publicação de Volodymyr Zelensky, o primeiro-ministro da Eslováquia disse que se riu e acusou o Presidente da Ucrânia de “interferência inadequada nos assuntos internos da República Eslovaca”. Sobre o protestos, Robert Fico alegou um terço dos manifestantes eram ucranianos. “Não entendo o motivo pelo qual os ucranianos criticam o governo eslovaco”, frisou.

Perante os protestos, Robert Fico garantiu que não se vai demitir. “O governo apenas pode ser alterado se houver eleições”, assinalou. O líder do governo de esquerda nacionalista eslovaco acusou ainda as forças de oposição de estarem a preparem um golpe de Estado para derrubar o executivo.

No entanto, a oposição rejeita as acusações e já tem previsto mais uma manifestação, desta vez marcada para 7 de fevereiro. Além disso, os partidos críticos de Robert Fico apresentaram uma moção de censura, por causa da aproximação à Rússia.

A moção de censura, votada na próxima semana no parlamento eslovaco, será uma prova de fogo para Robert Fico, que lidera uma coligação que conta o Smer-SD (o seu partido, de esquerda nacionalista), o Hlas (de centro-esquerda) e o Partido Nacional Eslovaco (de extrema-direita).

Os três partidos têm uma maioria frágil no Parlamento, obtendo 72 dos 150 lugares. No entanto, esta sexta-feira, dois membros do Hlas foram expulsos do partido (e perderam o lugar) e três deputados deixaram a coligação no ano passado, ainda que esses três parlamentares tenham apoiado a coligação em alguns assuntos.