Depois do despedimento de Vítor Bruno, há uma semana, depois da derrota em Barcelos (3-1), o FC Porto deu que falar (e muito), protagonizando uma das maiores novelas desta janela de transferências. O clube optou por escolher Martín Anselmi como sucessor de Vítor Bruno, mas o Cruz Azul não se tem mostrado disponível para aceitar o negócio — o que promete prolongar a novela por muito tempo. Este domingo, Anselmi já esteve no Estádio do Dragão e conseguiu comprovar, ao vivo e ao cores, a crise de confiança que atravessa o clube que vai herdar.
O FC Porto chegava a este jogo depois de somar mais uma derrota na receção ao Olympiacos (0-1), complicando ainda mais o percurso na Liga Europa. Seguia-se nova partida disputada em casa, frente a um Santa Clara que tem sido uma das grandes surpresas da temporada. A missão do técnico interino, José Tavares, passava por colmatar as ausências de peso de Nico, Samu e Eustáquio — suspensos devido aos cartões — e recolocar os azuis e brancos na rota das vitórias.
“Encontrei uma equipa com vontade de dar a volta. Sabem que é preciso mudar algumas coisas, mas o caminho é de confiança neles próprios, de cada vez mais trabalhar e sermos o mais coletivos possíveis”, abordou Tavares na ressaca do jogo com os gregos, com os dragões a não realizarem a habitual antevisão antes do encontro deste domingo.
Do outro lado estava uma equipa açoriana longe da forma alcançada na primeira metade da temporada mas que, ainda assim, era uma ameaça devido ao jogo vertiginoso e às lanças apontadas à baliza de Diogo Costa. “Percebemos que não é um momento fácil para o FC Porto, mas vai ser um jogo muito difícil. Somos uma boa equipa e já provámos que, se estivermos concentrados, podemos ser competitivos e pontuar no Dragão“, assumiu Vasco Matos na antecâmara do encontro.
Por entre ausências e escolhas por opção, José Tavares mudou mais de meia equipa para este encontro, com Martim Fernandes, Otávio Ataíde, Vasco Sousa, Fábio Vieira, Gonçalo Borges e Deniz Gül a entrarem no onze inicial portista. Já Vasco Matos apresentou apenas duas novidades, com MT a render Frederico Venâncio na defesa e Gustavo Klismahn a saltar para o ataque, por troca com Alisson Safira.
Ficha de jogo
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FC Porto-Santa Clara, 1-1
19.ª jornada da Primeira Liga
Estádio do Dragão, no Porto
Árbitro: André Narciso (AF Setúbal)
FC Porto: Diogo Costa; Martim Fernandes (João Mário, 15’), Tiago Djaló, Otávio Ataíde, Francisco Moura (Zaidu Sanusi, 55’); Vasco Sousa (Rodrigo Mora, 55’), Alan Varela; Gonçalo Borges (Pepê, 77’), Fábio Vieira, Wenderson Galeno; Deniz Gül (Danny Namaso, 77’)
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos; Nehuén Pérez, Domingos Andrade e Zé Pedro
Treinador: José Tavares
Santa Clara: Gabriel Batista; Luís Rocha, Sidney Lima, Matheus Pereira; Diogo Calila (Lucas Soares, 40’), Adriano Firmino, Pedro Ferreira (Gui Ramos, 83’), Gustavo Klismahn (Serginho, 69’), MT; Vinícius Lopes (Ricardinho, 69’) e Gabriel Silva (Daniel Borges, 83’)
Suplentes não utilizados: Neneca; Matheusinho, João Costa e Frederico Venâncio
Treinador: Vasco Matos
Golos: Gabriel Silva (33’) e Otávio (76’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Galeno (12’), Calila (22’), João Mário (23’), Pepê (40’), Djaló (46’), Pedro Ferreira (47’), Matheus Pereira (52’ e 80’), Vinícius (65’) e Gabriel Batista (69’), vermelho a Matheus Pereira (80’)
O FC Porto entrou autoritário e a assumir as despesas da partida, perante um Santa Clara que defendia no seu meio-campo em 5-4-1, deixando apenas Gabriel Silva no ataque, de modo a ter chegar ao ataque com ataques rápidos. Apesar de os açorianos terem crescido com o passar dos minutos, verificou-se o mesmo nos dragões que, já depois de Martim ter saído por lesão (15′), criaram a primeira ocasião de golo, com Alan Varela a rematar de fora da área para uma grande intervenção de Gabriel Batista e Borges a atirar por cima, na recarga (28′).
O Santa Clara acabou por ser feliz na sequência de um canto, com Klismahn a levantar a bola para um remate de primeira em arco de Gabriel Silva para o fundo da baliza de Diogo Costa (33‘). Pouco depois, Diogo Calila, já com amarelo, travou Galeno quando esta seguia para o ataque, os portistas protestaram, mas o lateral continuou em campo, cedendo logo a seguir o seu lugar a Lucas Soares.
Gül foi o protagonista dos últimos minutos do primeiro tempo, depois de ter tido um golo anulado, por fora de jogo (41′), e de ter falhado o empate num lance em que rematou com o joelho ao poste, quando tinha tudo para fazer melhor (44′).
Com a desvantagem a imperar ao intervalo, José Tavares não mexeu na equipa, que teve nova reentrada forte na partida, com Galeno a aparecer com perigo dentro da área a finalizar para defesa de Gabriel Batista nos primeiros segundos (46′). O técnico interino viria a mexer na equipa logo a seguir, com Zaidu Sanusi e Rodrigo Mora a substituírem Moura e Vasco Sousa (55′). O internacional nigeriano entrou bem na partida, revitalizou o flanco esquerdo e quase que fez o empate, atirando por cima depois de um bom movimento individual (59′).
À entrada para os últimos 20 minutos, Galeno surgiu isolado na área adversária, tocou a bola fora do alcance de Gabriel Batista, mas acabou por ser rasteirado pelo guarda-redes (69′). André Narciso assinalou o castigo máximo mas, na cobrança, o luso-brasileiro acertou em cheio no poste direito (72′).
Na jogada seguinte, os dragões beneficiaram de um livre na meia-direita, a meio do meio-campo, Alan Varela levantou a bola para o segundo poste e, de cabeça, Otávio empatou a partida, com um cabeceamento em balão (76‘).
O jogo estava numa toada emotivo e de novo com a vitória em aberto, e Matheus Pereira quis deixar o seu contributo ao ver o segundo amarelo por falta sobre Fábio Vieira (80′). Com os azuis e brancos em superioridade numérica, o Santa Clara estacionou o autocarro à frente da baliza e conseguiu conter a iniciativa de Djaló (90+3′).
O momento do jogo aconteceu imediatamente depois. Galeno deu de calcanhar para a arrancada de Pepê, que foi travado dentro da área por MT e Gui Ramos (90+4′). A responsabilidade voltou a recair sobre Galeno, que atirou rasteiro para a esquerda, mas Gabriel Batista voou para travar o remate. Na recarga o avançado falhou a baliza (90+6′).
Com um final de loucos, o FC Porto somou a quinta partida consecutiva sem vencer e está agora a seis pontos do líder Sporting, mas voltou ao segundo posto, em igualdade pontual com o Benfica. A próxima partida em casa será precisamente frente aos leões, embora pelo caminho ainda haja Maccabi Telavive (quinta) e Rio Ave (dia 3), ambas fora de portas.