O presidente do PS anunciou esta segunda-feira à noite que o partido vai fazer uma Comissão Nacional no dia 8 de fevereiro para tomar uma decisão sobre presidenciais. Carlos César disse, em entrevista à CNN Portugal, que convocou esta segunda-feira o órgão máximo entre congressos e que terá de ser aí que os socialistas decidem sobre o assunto, e não em eleições primárias ou num referendo, como já chegou a ser sugerido dentro do PS. Entre António José Seguro e António Vitorino, não disse diretamente qual prefere, mas sublinha experiência de Vitorino.

César diz isto numa altura em que ainda não há candidaturas oficializadas na área socialista, mas em que já se conhece a ponderação de nomes como António José Seguro ou António Vitorino. E defende Pedro Nuno, ao dizer que não foi o líder do PS que lançou o nome de Seguro, garantindo que o fez apenas por ser “conhecedor das diligências” que Seguro “estava a desenvolver à data, inclusivamente junto de estruturas do partido”.

A Comissão Nacional decidirá “se já tiver em condições de optar”, mesmo que ainda não existam candidatos oficializados, caso não esteja poderá definir “um perfil ou um calendário adequado para o tratamento do tema”. “Não se pode é deixar o PS na posição de lista de espera nas presidenciais”, disse ainda convencido de que haverá “condições” para tomar uma posição nessa altura entre os nomes de que já se fala: Seguro ou Vitorino.

Sem responder sobre quem é o seu preferido, César foi, no entanto, seletivo nas diferenças que vincou entre os dois nomes, dando vantagem clara à experiência de António Vitorino. Descreveu Seguro apenas como “um militante, antigo dirigente, um antigo secretário-geral” que “não merece nenhuma manifestação de hostilidade” da parte do partido. Já Vitorino assinalou a sua “experiência consolidada na governação europeia, internacional, foi comissário europeu, foi diretor de organizações internacional, foi ministro da Defesa”. E neste ponto acrescentou ainda que “é preciso não esquecer que o Presidente da República é simultaneamente o chefe supremo das Forças Armadas e o representante do Estado português, exige um perfil que é preciso acautelar.”

Aviso a Seguro, Mendes “limitado” e almirante próximo da “direita anónima”

Questionado sobre a coincidência de datas, já que foi na primeira semana de fevereiro, em 1995, que Jorge Sampaio anunciou a sua candidatura à Presidência da República, Carlos César disse que marcar a Comissão Nacional para esse dia “não tem nada a ver”. Mas também diz ter ouvido uma “menção” sobre uma das potenciais candidaturas, a de Seguro, oficializar-se no mesmo dia e, sobre isso, não hesitou em considerar “inapropriado e verdadeiramente abusivo alguém invocar a candidatura de Jorge Sampaio para se candidatar hoje ou para suportar a datação do seu anúncio”.

Ainda sobre as presidenciais, César acrescentou que “a indefinição à direita e igual à indefinição à esquerda” e fala muito em concreto de Marques Mendes, dizendo que se trata de uma “candidatura partidária e muito limitada“. No caso do almirante Gouveia e Melo, não o “repugna por ser militar”, mas preocupa-o “ser uma pessoa aparentemente muito próxima de uma certa direita anónima que desconsidera alguns vetores essenciais da democracia representativa multipartidária”.

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Imigração. César aponta dedo a criticas “inadmissíveis”, como as de Ana Catarina Mendes

Carlos César foi também questionado sobre a recente entrevista de Pedro Nuno Santos e a posição sobre a imigração que dividiu o partido. Chamou-lhe uma “entrevista rigorosa e corajosa”, assumindo a ideia de “recolocar o PS perante uma temática que aflige as pessoas e concentra muitas atenções do lado de uma solução que acautele, em simultâneo, o interesse dos que, vindo para Portugal, têm direito a ser acolhidos com dignidade e, por outro lado,  a população portuguesa”. Falou mesmo na necessidade de “centrar a esquerda democrática.”

Pedro Nuno Santos clarificou linha na imigração e dividiu o partido

Carlos César desvalorizou o peso da crítica aos executivos de António Costa, levantado quando o líder socialista, na mesma entrevista, falou no “erro” que foi o mecanismo de manifestação de interesse para os imigrantes criado nessa altura. “Não há nenhum sentido de condenação em relação ao passado”, disse César desdramatizando com outras revogações que já foram feitas em relação ao passado.  O PS apresentará uma alternativa a este mecanismo na sexta-feira.

Quanto às críticas que o posicionamento de Pedro Nuno levantou no PS, César separa águas, dizendo que aceita as críticas de José Luís Carneiro, ” que foi um bom ministro”, mas que já não aceita as de Ana Catarina Mendes, “que foi uma que não teve tempo nem oportunidade de se revelar no exercício desses cargos de Governo”: “O que me parece inadmissível é associar quer na linguagem quer no pensamento, o secretário-geral  do PS a posições sociais e política da direita e da extrema direita. Isso passa os limites da crítica interna que pode ser externa”.