Les Très Riches Heures (As Horas Muito Ricas, em tradução literal) é um raro manuscrito do século XV que retrata o quotidiano da época e contém ilustrações de castelos medievais franceses. Foi numa delas que os criadores da “casa” da Bela Adormecida na Disneyland Paris se inspiraram, diz o jornal The Guardian. O manuscrito (que passou por um dispendioso processo de restauro e que pode ver na íntegra aqui) será exposto pela primeira vez, desde a década de 1980, entre junho e outubro de 2025, no Museu Condé, situado no Castelo de Chantilly, em França.
Segundo o comunicado de imprensa, o manuscrito de 416 páginas é um “livro de horas” que reúne um conjunto de orações recitadas ao longo do dia, na Idade Média, e um calendário de festas religiosas e “dias santos”. Apresenta ilustrações de episódios religiosos e representações do dia a dia de então, como a prática da agricultura pelos camponeses ou a vida dos nobres nos castelos e palácios franceses.
Na nota em que anuncia a realização da exposição, o Castelo de Chantilly adianta mais pormenores sobre a obra apelidada de “Mona Lisa dos manuscritos”. Foi redigida ao longo do século XV e produzida em velino – um tipo de pergaminho –, com pormenores de ouro e prata, em estilo gótico internacional. Contém ainda 121 iluminuras.
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A obra foi encomendada por João I, duque de Berry, irmão do rei francês Carlos V, aos Irmãos Limbourg, famosos pintores neerlandeses de iluminuras do século XV, que morreram sem a concluir. Depois, outros artistas, como Barthélémy d’Eyck e Jean Colombe, terminaram a composição do manuscrito.
Mais tarde, com a morte do duque de Berry, a obra esteve na posse de vários nobres de Itália, França e Países Baixos. Em 1877, Henrique I, duque de Amuale, instalou-a na sua residência – o castelo de Chantilly — onde está desde então, tendo entretanto sido incluído no acervo do Museu Condé, inaugurado em 1898. Contudo, o manuscrito raramente foi exibido. Desde a década de 1980 que não é exposto, nem mesmo para efeitos de investigação.
O diretor do Museu Condé, citado pelo The Guardian, disse que o restauro de Les Très Riches Heures apenas será concluído no fim da exposição e o manuscrito voltará ao arquivo do museu. Sobre o seu estado de conservação, Mathieu Deldicque admitiu que “é muito frágil” e “corre risco de danos causados pela luz”, o que impossibilita que fique em exposição permanente. “Esta exposição será única. É um livro de que todos falam mas que ninguém viu”, remata.