O Governo voltou atrás na intenção de nomear para o IGCP Valéria Cunha, uma gestora até recentemente quadro do Novo Banco que saiu da instituição financeira após ter havido denúncias de bullying e maus-tratos a pessoas da equipa que liderou. A gestora chegou mesmo, segundo o jornal Eco, a ser investigada pelo Novo Banco, de onde saiu por mútuo acordo.

O Observador contactou o Novo Banco, na última terça-feira, para obter mais esclarecimentos sobre este caso – mas não teve uma resposta. Mas o jornal Eco, citando fonte governamental, adianta que a gestora terá omitido a polémica em que esteve envolvida e as razões que levaram à saída do Novo Banco.

Segundo a mesma fonte, terá havido um processo de averiguação, em meados do ano passado, que levou à suspensão de funções e posterior acordo de saída já perto do final do ano. Entretanto, nos últimos dias, o Governo decidiu voltar atrás no convite à gestora para integrar a nova administração da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), liderada por Pedro Cabeços.

A gestora tinha entrado no Novo Banco pouco tempo antes, em fevereiro de 2023, para liderar o departamento de recuperação de crédito de empresas. Mas houve uma denúncia dentro do banco que expôs uma relação problemática que mantinha com alguns trabalhadores, noticia o Eco. Alguns desses trabalhadores, alguns com vários anos de trabalho no Novo Banco, deixaram a instituição ou apresentaram baixa médica devido à forma como terão sido tratados pela sua superior hierárquica, incluindo ofensas e injúrias em frente a outros colegas.

A gestora não respondeu às várias tentativas de contacto feitas pelo jornal. O nome de Valéria Cunha teria de ser aprovado pela Cresap, tal como terão de ser aprovados os outros gestores que vão protagonizar a nova administração da agência que gere a dívida pública.