É um problema que se arrasta há meses. Grande parte dos elevadores do IPO de Lisboa estão inoperacionais, o que provoca constrangimentos na normal atividade da instituição e afeta o quotidiano de doentes, profissionais e visitantes. A situação está a mesmo a provocar a interrupção dos transplantes de medula óssea, obrigando à transferência de doentes para outros hospitais.

No Pavilhão Central — com sete pisos e onde está concentrada a maior parte da atividade assistencial do IPO — existe apenas um elevador disponível, o chamado monta-cargas. Os dois elevadores utilizados para as deslocações de doentes estão inoperacionais. Nas portas, estão colocados avisos alertando para as obras em curso e referindo que os utentes devem utilizar o elevador central.

O problema é que esse mesmo elevador está sobrecarregado, uma vez que, para além de transportar macas, contentores de lixo e material hospitalar, tem também de transportar dezenas de pessoas todos os dias. “Só existe um elevador para tudo: doentes que vão para o bloco operatório, doentes que vão para consultas, enfermeiros, médicos, visitantes e material. Os outros estão em obras há meses”, diz uma profissional do IPO de Lisboa ao Observador.

O resultado é que quando um doente precisa de ser enviado para o bloco operatório de um qualquer serviço (em situação clínica delicada), as pessoas que se encontram no elevador destinado às macas têm de sair, o que coloca em causa a segurança dos internados e provoca constrangimentos na circulação de outros doentes e profissionais. “Isto provoca atrasos que podem ser graves”, diz a mesma profissional.

IPO Lisboa. “Estão a engonhar em avaria de meses”

Os problemas não se cingem apenas ao principal edifício do IPO. No pavilhão onde se realizam as consultas externas, os dois elevadores estão também avariados, o que impede o acesso às consultas de pessoas com limitações motoras. “Os doentes têm de subir até ao terceiro andar e os que estão em cadeira de rodas não o podem fazer. Têm de ser vistos numa sala no rés do chão “, diz a mesma fonte.

Os constrangimentos estendem-se também à Unidade de Transplante de Medula. Neste serviço, a falta de um elevador para o transporte de macas levou à interrupção dos transplantes, diz fonte hospitalar ao Observador, uma vez que não estão reunidas as condições de segurança para os doentes. “Os doentes entram pelo seu pé, mas se, por alguma razão, precisarmos de deslocar um doente para uma unidade de cuidados intensivos ou para onde quer que seja, o doentes têm de ir deitados e no elevador pequeno [o único operacional no pavilhão] não cabe uma maca”, o que impossibilita as deslocações, diz a mesma fonte.

Desta forma, o funcionamento da unidade, com 12 camas, está condicionado, numa altura em que a lista de espera para transplante de medula ultrapassa as 80 pessoas. “É um problema grave, porque o país tem uma enorme carência de camas para transplantação de medula. A mínima perturbação ou atraso tem impacto. A unidade tem 12 camas e temos mais de 80 doentes à espera”, denuncia a mesma fonte, acrescentando que a “indignação dos profissionais tem aumentado” por não se saber quando as avarias nos elevadores serão resolvidas. Recorde-se que os trabalhos de requalificação dos elevadores do IPO decorrem já desde abril, há pelo menos nove meses.

IPO Lisboa diz que tem oito elevadores em obras de substitução

Até o elevador que dá acesso à Unidade de Transplante de Medula estar novamente operacional, a solução encontrada é enviar os doentes para serem transplantados noutros hospitais do SNS e no estrangeiro, diz a mesma fonte.

Noutra zona do IPO, no pavilhão de Medicina e Oncologia, o elevador que transporta macas está “praticamente sempre desligado”. “Isto é uma situação trágica, não é aceitável ter um hospital com os elevadores principais avariados. As pessoas vêm às consultas e têm de ir a pé”, indigna-se a mesma fonte, garantindo que “em todos os edifícios há constrangimentos no acesso aos doentes”.

Contactado pelo Observador, o IPO confirma os “constrangimentos causados aos utentes e à atividade hospitalar” e diz-se “empenhado e a envidar todos os esforços para que esta operação de beneficiação se dê por terminada com a máxima brevidade”. A instituição, liderada por Eva Falcão, sublinha que está em curso uma “empreitada de beneficiação que visou a substituição de um total de oito (8) elevadores do hospital, incluindo quatro (4) elevadores do Pavilhão Central, dos 9 (nove) existentes neste Pavilhão” e que um destes já se encontra operacional.

Quanto à situação da Unidade de Transplante de Medula, o IPO garante que a atividade clínica está a ser mantida, sendo que os doentes internados “prosseguem os seus transplantes como habitualmente”, mas admite que “foram contactados os outros centros de transplantação nacionais que vão assegurar no imediato um transplante programado de adulto na próxima semana“.

O IPO confirma que o elevador que permite o transporte de macas do pavilhão em causa não se encontra operacional. “No seguimento de uma vistoria da empresa responsável pela manutenção dos elevadores, foi recomendada a paragem temporária deste elevador para aprofundamento da avaliação do seu sistema de marcha, estando-se neste momento a aguardar o relatório desta avaliação”, refere a instituição