A polícia israelita realizou uma rusga a uma importante livraria palestiniana, em Jerusalém, e deteve dois dos seus proprietários que estavam no local. As autoridades justificaram as detenções garantindo que um livro de colorir para crianças constituía prova de incitamento ao terrorismo. “Pegaram em qualquer livro que tivesse um ícone palestiniano ou uma bandeira palestiniana e tentaram traduzi-lo utilizando o Google Translate”, disse Morad Muna, irmão de Mahmoud Muna, um dos dois detido, ao jornal The Guardian.
“Até levaram um exemplar do Haaretz [um jornal israelita] como parte da busca”, adiantou a mesma fonte. Outra loja da Educational Bookshop, a cadeia de livrarias em causa, foi alvo de uma busca idêntica no domingo à tarde.
Na segunda-feira, depois de os dois homens passarem a noite num estabelecimento prisional, um magistrado israelita ordenou mais uma noite de detenção e cinco dias de prisão domiciliária para ambos. São suspeitos de “violação da ordem pública”. A polícia disse que tinha apreendido oito livros e que precisava de tempo para investigar mais, incluindo para apurar o conteúdo dos livros, que precisa de traduzir.
No Instagram, Quique Kierszenbaum, um fotógrafo independente sediado em Jerusalém, partilhou uma imagem de Mahmoud e Ahmed no Tribunal de Justiça da cidade, numa audiência em que pediram a suspensão da sua detenção.
Segundo o jornal britânico, a loja familiar tem estado no centro da vida cultural de Jerusalém por quatro décadas. A sua vasta coleção de livros de autores palestinianos, israelitas e internacionais é popular entre os residentes e turistas, e o seu café acolhe regularmente eventos literários.
Grupos de defesa dos direitos humanos e intelectuais apelaram à libertação imediata dos dois homens e vários manifestantes reuniram-se em frente ao tribunal na segunda-feira de manhã para apoiar os dois homens. Entre eles destaca-se o autor vencedor do prémio Pulitzer Nathan Thrall, que lançou o seu livro A Day in the Life of Abed Salama na cadeia de livrarias palestinianas. “As autoridades israelitas estão a criar um clima de medo para os palestinianos em Jerusalém Oriental”, garantiu em declarações ao The Guardian.