Um hospital que está “preparado para menos de metade da população que serve”, macas que são “mobilizadas para fora dos corredores” durante as visitas dos governantes e as declarações de Ana Paula Martins. Num artigo de opinião publicado no Observador, a diretora do serviço de Infecciologia da ULS Amadora-Sintra respondeu às afirmações da ministra da Saúde sobre o estado atual de um dos maiores hospitais do país.
É o “hospital mais mediático do país”, enquadra Patrícia Pacheco, aludindo às repetidas notícias sobre o encerramento e sobrelotação de serviços, falta de profissionais de saúde e, na última semana, a demissão do Conselho de Administração. Foi diante estas situações, aparentemente isoladas e recentes, que Ana Paula Martins se manifestou, também, no Parlamento.
Administração do hospital Amadora-Sintra apresenta demissão à ministra da Saúde
A ministra indicou ter falado múltiplas vezes com os administradores da ULS, dando-lhes “todas as possibilidades para tentar recuperar a situação”. Em resposta, a diretora do serviço de Infecciologia do Amadora-Sintra admite estar a aguardar que a governante “proceda diligentemente às medidas resolutivas da situação, de forma a repor a capacidade de resposta cirúrgica da instituição em termos clínicos e formativos”. “Para quem já sabia, há meses, o que fazer, digamos que, no mínimo, fica muito aquém das expectativas“, acrescenta Patrícia Pacheco, após a ministra ter afirmado diante a Ordem dos Médicos esta segunda-feira que “vai desenvolver um plano”.
Outro tópico abordado pela diretora de serviço foi a “degradação” do Amadora-Sintra indicada por Ana Paula Martins, que contrasta com a imagem anterior de um “hospital organizado, que tinha urgências que nunca fechavam, sem listas de espera, construído para dar respostas numa zona problemática”. Ao longo dos seus 12 anos ao leme do serviço de Infecciologia, Patrícia Pacheco concorda que o hospital se tenha “degradado”, mas que continua a ser organizado. Num registo de discórdia, porém, confirma que a Unidade Local de Saúde tinha, e continua a ter, “listas de espera de consultas e de cirurgias bem como urgências fechadas, estas últimas, supostamente sempre de acordo com indicações da tutela”.
A responsável refere que, no momento atual, a ULSAmadora-Sintra “não garante condições estruturais adequadas ou modernas de funcionamento” para servir os utentes da sua área. Menciona situações de “chuva/inundações nos corredores” e a “ausência de camas para internamento, com quartos triplos/quádruplos/sêxtuplos completamente desadequados da modernidade necessária”. Nota, ainda, que existem também grandes dificuldades na resposta “às exigências de uma das maiores ULS do país com tão poucos recursos humanos”.
“Quantas e quantas vezes ao longo destes 30 anos de SNS, já vi serem ‘mobilizadas’ dezenas de macas dos Serviços de Urgência previamente às visitas dos governantes“, denuncia Patrícia Pacheco, face à “indignação” apresentada por Ana Paula Martins pela acumulação de macas nos corredores das urgências. A diretora do serviço de Infecciologia nota que estas “mobilizações”, feitas para “libertar visualmente o Serviço de Urgência para ministros e televisões”, acontecem sob decisão dos Conselhos de Administração, uma vez que “não têm camas de internamento suficientes“.