O rei da Jordânia reiterou a sua oposição ao plano de Donald Trump para expulsar a população da Faixa de Gaza, depois de se ter reunido com o novo Presidente dos Estados Unidos, em Washington.
Após o encontro de terça-feira, o rei Abdullah II garantiu, na rede social X, que manifestou ao republicano “firme oposição à deslocação de palestinianos em Gaza e na Cisjordânia ocupada”, sublinhando que se tratava de uma “posição árabe comum”.
I reiterated Jordan’s steadfast position against the displacement of Palestinians in Gaza and the West Bank. This is the unified Arab position. Rebuilding Gaza without displacing the Palestinians and addressing the dire humanitarian situation should be the priority for all.
— عبدالله بن الحسين (@KingAbdullahII) February 11, 2025
“Insisti que o meu compromisso supremo era com a Jordânia, a sua estabilidade e o bem-estar dos jordanos”, acrescentou o monarca, referindo-se aos anos de tensão e até aos confrontos armados que, no contexto do conflito israelo-palestiniano, marcaram a história do reino.
Quase metade dos 11 milhões de habitantes da Jordânia são de origem palestiniana.
“Reconstruir Gaza sem deslocar os palestinianos e abordar a terrível situação humanitária deve ser a prioridade de todos”, escreveu Abdullah II na X.
O plano de Trump para a Faixa de Gaza, que é esvaziar o território dos seus habitantes para o transformar numa vasta zona de desenvolvimento imobiliário sob o controlo dos Estados Unidos, desencadeou uma onda de indignação internacional.
Trump, que chegou a mencionar a suspensão da ajuda dos Estados Unidos à Jordânia caso esta não acolhesse os palestinianos deslocados, adotou na terça-feira um tom mais conciliador, afirmando que não era necessário ameaçar o país: “Penso que já ultrapassámos essa fase”.
O multimilionário de 78 anos, antigo promotor imobiliário, também respondeu “não”, quando um jornalista lhe perguntou se tencionava participar a título particular no projeto que está a elaborar para a Faixa de Gaza.
Durante a reunião com Trump, o rei Abdullah II declarou-se pronto para receber 2.000 crianças gravemente doentes da Faixa de Gaza.
O rei da Jordânia já tinha anunciado que o Egito iria apresentar um plano para os líderes árabes considerarem nas próximas negociações.
O Egito pretende “apresentar uma visão abrangente para a reconstrução” da Faixa de Gaza, onde garante que os palestinianos permanecem nas suas terras, revelou na terça-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros egípcio.
O Cairo “espera cooperar” com o Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre este tema.
O ministério liderado por Badr Abdelatty explicou que o Egito está a considerar um plano que permitiria a reconstrução de Gaza “de uma forma clara e decisiva que garanta que o povo palestiniano permaneça na sua terra e de acordo com os direitos legítimos e legais deste povo”.
O Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, que no mês passado trocou convites para visitas de Estado com Trump, pediu também na terça-feira a reconstrução de Gaza “sem deslocar os palestinianos”.