Os impactos da histórica caminhada de Portugal no Campeonato do Mundo de 2023 não se fizeram sentir de forma tão premente como desejado mas os Lobos conseguiram abrir uma janela de oportunidade em duas vias a partir desse momento. Por um lado, pelos resultados, exibições e impacto positivo na comunidade internacional do râguebi, ganharam outro protagonismo no mapa europeu. Por outro, foram um dos grandes beneficiados da reformulação dos quadros competitivos, com o aumento de 20 para 24 equipas apuradas para as fases finais de Mundiais. Era uma questão de “capitalizar” e esse primeiro objetivo foi atingido.

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Na qualificação para França-2023, a fase europeia, denominada de Europe Championship, tinha um grupo com seis seleções onde os dois primeiros tinham qualificação direta para o Mundial (Roménia e Geórgia) e o terceiro classificado passava ao playoff intercontinental – onde bateu Hong Kong e Quénia antes do empate em período de descontos com os EUA que valeu a presença no segundo Campeonato do Mundo da história. Agora, tudo mudou: o Europe Championship é constituído por dois grupos de quatro seleções, com os dois primeiros de cada grupo a passarem de forma direta à fase final e uma outra equipa a entrar no playoff.

Nestes moldes, imperou a lei do mais forte. Em apenas duas jornadas, Geórgia, Espanha, Portugal e Roménia garantiram a passagem direta ao Mundial de 2027 na Austrália, deixando a vaga de repescagem a ser discutida por Países Baixos, Suíça, Alemanha e Bélgica e juntando-se às seleções do Torneio das Seis Nações entre os apurados (Irlanda, França, Inglaterra, Escócia, Gales e Itália). No entanto, esse era apenas o primeiro passo em relação ao Europe Championship, que entrava agora numa “segunda fase” em que iriam ser discutidas as lideranças dos grupos e respetivos cruzamentos nas meias-finais da competição.

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Como está a qualificação para o Campeonato do Mundo de 2027 na Austrália

  • África (2 ou 3 equipas): África do Sul (campeã) + vencedor continental + vaga do playoff
  • Ásia (2 ou 3 equipas): Japão (automático) + vencedor continental + vaga do playoff
  • Europa (10 ou 11 equipas): Inglaterra, França, Irlanda, Itália, Escócia e Gales (automático) + Geórgia, Espanha, Portugal e Roménia (qualificação continental) + vaga do playoff
  • Pacífico (6 ou 7 equipas): Austrália (organizador), Nova Zelândia, Fiji (automático) + três vencedores qualificação continental + vaga do playoff
  • Américas (3 ou 4 equipas): Argentina (automático) + vencedor continental + vaga(s) do playoff

No grupo A, Espanha e Geórgia discutem o primeiro lugar em Madrid este domingo. Já no grupo B, Portugal teria uma deslocação a Botosani para defrontar a Roménia, com o empate a ser favorável para os Lobos. Nas duas jornadas inaugurais, a Seleção conseguiu somar o ponto de bónus com a Bélgica (40-30) e também com a Alemanha (56-14), ao passo que os romenos, ganhando à Alemanha (48-10) e à Bélgica (31-14), falharam esse ponto de bónus na última ronda. Essa era a pequena vantagem nacional antes do encontro, que podia ter mais “bónus”: caso Portugal passasse em primeiro, poderia jogar em casa a meia-final, num plano teórico fugir à Geórgia e ficar mais perto da final da prova, permitindo um posicionamento mais favorável naquilo que será a disposição dos conjuntos europeus nos potes do sorteio da fase final do Mundial-2027.

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Com uma sensação térmica de quatro graus negativos e muita neve à volta do campo, Portugal, que começou com David Costa, Luka Begic, Diogo Hasse Ferreira, José Madeira, José Rebelo de Andrade, Diego Pinheiro, Nicolas Martins, Vasco Baptista, Samuel Marques, Joris Moura, Rodrigo Marta, Tomás Appleton, José Lima, Raffaele Storti e Simão Bento no XV inicial, teve uma boa entrada, foi “secando” as tentativas romenas sem grandes problemas e conseguiu o primeiro ensaio aos 14′ pelo inevitável Storti na sequência de uma jogada que foi andando de um lado para o outro até ao momento decisivo mas que começou com uma combinação pelo meio que apanhou o espaço em aberto na defesa contrária. A meio da primeira parte, e mesmo sem terem entrado ainda nos últimos 22 metros nacionais, os romenos reduziram para 5-3 na sequência de uma penalidade que nasceu de uma jogada onde Portugal poderia ter chegado ao seu segundo ensaio.

Nem mesmo esse momento abalou o conjunto de Simon Mannix, que continuou por cima da partida apesar de ter alguns momentos em que a paciência ia faltando perante a “parede amarela” que impedia a progressão por mais metros. Samuel Marques ainda desperdiçou uma penalidade em posição central mas, depois de um amarelo que deixou a Roménia com 14, Luka Begic conseguiu o segundo ensaio (desta vez com conversão) num maul dinâmico e aumentou para 12-3 (31′). Os visitados ainda tiveram uma penalidade em cima do intervalo mas o resultado não iria voltar a mexer, com uma pequena vantagem da Seleção no resultado.

Portugal sabia que, na última derrota frente à Roménia, até tinha saído a ganhar ao intervalo sendo muito melhor no jogo. Não podia facilitar, não facilitou: Nicolas Martins voltou a fazer um ensaio aos romenos e, com a conversão, a vantagem passou para 19-3. O encontro chegava a uma fase decisiva, com os visitados a tentarem mexer na equipa para darem outra velocidade na frente e a formação nacional a tentar gerir da melhor forma os momentos do jogo, beneficiando de mais um amarelo de um pilar contrário para fazer mais um ensaio por Manuel Vareiro para aumentar a vantagem até aos 27-6. Estava escrita a história de um encontro onde Portugal foi sempre melhor, fazendo ainda mais um ensaio por Vasco Baptista aos 79′ para estabelecer o 34-6 final (não consentindo qualquer ensaio aos romenos), e fica agora à espera do derrotado do Espanha-Geórgia para saber o adversário nas meias-finais em casa daqui a duas semanas.