Facto 1: em três jogos na presente temporada contra o Brest, o PSG tinha ganho sempre e com uma margem superior a um golo. Facto 2: o conjunto de Paris atravessava o melhor momento da época, com uma série de seis vitórias consecutivas entre Ligue 1 e Liga dos Campeões e 15 triunfos e duas igualdades nos últimos 17 encontros. Facto 3: era preciso recuar a novembro para encontrar uma derrota do campeão francês, sendo que os três desaires que teve em 2024/25 foram na Champions com Arsenal, Atl. Madrid e Bayern. Facto 4: nenhuma dessas derrotas teve três golos de diferença. Facto 5: a primeira mão do playoff, jogado fora em Guingam, acabara com uma vitória confortável por 3-0. Ainda assim, Luis Enrique não facilitava.

Passa, recupera, comanda, (quase) nunca falha: mais um recital de Vitinha na vitória do PSG entre os solos de Dembélé

“Sem dúvida que é um jogo complicado, apesar do bom resultado. O nosso trabalho é pensar neste jogo como uma obrigação de ganhar desde o início. Penso que o ambiente será de apoio total. Só temos de pensar em atacar e defender de uma forma total. A força do Brest é a sua equipa e não necessariamente as suas individualidades, mesmo que existam jogadores como Lees-Melou. É óbvio que Ajorque corre riscos com o seu jogo. É muito difícil jogar contra o Brest, e é preciso estar preparado. Será que o Brest conseguirá reverter a situação? O nosso objetivo é fazer com que isso não aconteça”, apontara o técnico espanhol, numa ideia que parecia ser mais lançada para dentro do que para fora. Se era esse o objetivo, funcionou na perfeição.

Com uma única alteração na equipa inicial face à primeira mão, com a entrada de Khvicha Kvaratskhelia para o lugar de Doué, o PSG ligou o rolo compressor para mudar aos dois e acabar nos sete, com uma goleada das antigas com muito dedo dos quatro jogadores portugueses na equipa: Vitinha (59′), Nuno Mendes (69′) e Gonçalo Ramos (76′), que entrou no decorrera da partida, marcaram um golo cada, ao passo que João Neves voltou a ser um dos melhores como tinha acontecido em Guingamp. Barcola (20′), Kvaratskhelia (39′), Doué (64′) e Mayulu (86′) fizeram os restantes golos no triunfo mais largo dos franceses esta temporada.

No final, entre tantas opções possíveis, Vitinha recebeu mais um prémio de MVP. “Foi o equilíbrio de toda a equipa ao longo dos 90 minutos, com um fantástico trabalho. Esteve impressionante em posse, muito agressivo sem bola e também marcou”, apontou o quadro de especialistas da UEFA. O PSG bateu no Parque dos Príncipes um recorde, tornando-se a primeira equipa de sempre com sete jogadores diferentes com um ou mais golos, e ficou apenas a um golo de outro… que envolve uma equipa portuguesa: com o 10-o no total das duas mãos, o conjunto francês chegou à segunda maior diferença numa eliminatória, ficando atrás dos 11 golos de diferença no Bayern-Sporting de 2009 nos oitavos com 5-0 em Alvalade e 7-1 em Munique.

No outro encontro da noite, por sinal o único com prolongamento para encontrar um vencedor em todo o playoff, houve mesmo surpresa em Eindhoven: apesar da vantagem mínima conseguida em Turim (2-1), a Juventus de Francisco Conceição saiu com um nulo ao intervalo, viu o PSV ganhar vantagem com um golo de Perisic (53′), empatou com um grande golo de Timothy Weah (63′) mas não impediu o tempo extra com o 2-1 de Ismael Saibari (74′). Aí, Ryan Flamingo fez a diferença (98′), dando o apuramento aos neerlandeses que prolongaram a série de encontros consecutivos sem derrotas em casa que remonta ainda a… 2022.