Não foi uma época internacional fácil, acabou por terminar da melhor forma. Apesar da vitória caseira frente ao Girona no arranque da Champions, o PSG não foi traçando o melhor cenário para a passagem aos oitavos. Mais: andou com o playoff em risco. Se depois do sorteio os franceses eram apontados como favoritos ao top 8, no final das cinco rondas iniciais tinha a passagem em xeque, tendo em conta a série de quatro encontros sem vitórias com Arsenal (0-2), PSV (1-1), Atl. Madrid (1-2) e Bayern (0-1). A “resposta” foi forte: goleadas com Salzburgo, Manchester City e Estugarda, chegada aos 13 pontos, passagem com possibilidade de jogar contra outra equipa gaulesa, o Brest, por um lugar nos oitavos onde teria pela frente Liverpool ou Barcelona. A ambição de ganhar a Liga dos Campeões pode estar sempre presente mas há outras prioridades.

Um bom exemplo disso mesmo foram as renovações recentes de quatro elementos fundamentais na atual estrutura francesa: Luis Enrique, técnico espanhol que há algumas semanas foi descrito pelo dono Nasser Al-Khelaïfi como “o melhor treinador do mundo”, Vitinha, Hakimi e Nuno Mendes. Numa nova era marcada pela saída de Kylian Mbappé depois de Lionel Messi e Neymar, os gauleses continuam apostados em manter uma base para os próximos anos com forte presença de jogadores nacionais a que se juntam ainda Gonçalo Ramos e João Neves. Era com eles que o PSG contava não só para ganhar a Ligue 1 e a Taça depois do triunfo na Supertaça mas também para dar mais um passo nas melhorias esta época na Champions.

“Ganhámos-lhes já duas vezes esta temporada na Ligue 1 mas eles complicam-nos sempre a vida. Se os deixarmos jogar vão fazer mossa, pois têm bons jogadores. O relvado não está muito bom mas tentaremos fazer o nosso jogo”, destacara Nuno Mendes, lateral que renovou até 2029 ficando como um dos melhores salários depois de alguns rumores que colocavam o internacional português no Manchester United… a custo zero. “Tática? O PSG é um adversário do tamanho do Monte Evereste. Por isso, já contactámos o ator Tom Cruise para lançar a nossa Missão Impossível”, ironizara Éric Roy, técnico do Brest, antes da partida.

Era neste contexto que chegava o reencontro entre PSG e Brest, com o conjunto parisiense a atravessar a sua melhor forma da temporada com 12 vitórias e dois empates nos últimos 14 jogos oficiais entre Campeonato, Taça, Supertaça e Liga dos Campeões e os visitados, longe do rendimento da última época em que foram a grande revelação em França, a apostarem tudo na Champions depois de um grande arranque na prova e a posição estabilizada na Ligue 1. No final, voltou a imperar a lei do mais forte e a força portuguesa entre uma formação parisiense que teve Dembélé como MVP mas voltou a beneficiar de uma autêntica sinfonia (mais uma) dos internacionais Vitinha e de João Neves no meio-campo, a tomarem conta do jogo com e sem bola.

Luis Enrique fez apenas um alteração em relação ao último encontro com o Mónaco, com o multiusos João Neves a regressar ao meio-campo com Hakimi recuperado da gestão física feita na última jornada e Khvicha Kvaratskhelia a começar no banco, ficando o ataque entregue à mobilidade de Dembélé, Barcola e Désiré Doué. Tudo na mesma nos jogadores, tudo na mesma sobre aquilo que se antevia: o PSG entrou a dominar por completo com 75% de posse, Vitinha e João Neves tomaram conta do jogo a partir do meio-campo e a primeira oportunidade a trazer o primeiro golo, com Pierre Lees-Melou a cortar com a mão na área um tiro de Dembélé após assistência de João Neves e Vitinha a marcar com muita classe o 1-0 (21′).

Tudo passava pelos pés dos portugueses, sendo que Vitinha tinha a bússola da liderança que lhe permitia não só orientar a equipa com e sem bola como ter jogadas de verdadeiro artista como uma à meia hora de jogo em que fintou três adversários num par de metros antes de Dembélé falhar o tempo de saída na profundidade. O encontro parecia fácil, entre dois avisos de Barcola que ficou perto do golo, mas todo esse facilitismo levou a momentos de aflição na área de Donnarumma, com Abdallah Sima a desviar uma bola à trave na sequência de um canto (35′) e Hakimi a ter um corte despropositado para canto que ainda bateu no poste antes de sair (39′). O Brest voltava a acreditar, o Brest tentava subir linhas em busca do empate, o Brest deu um passo maior do que a perna, com Dembélé a receber de Hakimi pela direita e a rematar para o 2-0 (45′).

A segunda parte começou praticamente com um golo anulado ao PSG, num lance na profundidade em que Barcola assistiu Doué, mas mesmo sem haver aí a “sentença” do encontro e provavelmente da eliminatória continuou o domínio dos campeões franceses, que tiveram oportunidades flagrantes para aumentar mais a vantagem por Dembélé (após uma fantástica assistência de calcanhar de João Neves) e Barcola. Não foi aí, foi pouco depois: entre uma defesa do Brest que abria buraco sobre buraco, Dembélé combinou com Barcola, aproveitou um ressalto e rematou na área para o 3-0 (66′). Ficava tudo decidido, com Luis Enrique a fazer depois alterações no setor ofensivo mas sem nunca prescindir de Vitinha e João Neves em campo.