Foi dado o tiro de partida para uma oferta pública inicial do Novo Banco. Em comunicado, o banco, no qual o Estado detém 25% (através da DGTF e Fundo de Resolução), informa que o seu acionista principal, o fundo norte-americano Lone Star, lhe deu a indicação “para iniciar um processo de oferta pública das ações do Banco”.

“O Novo Banco informa que recebeu indicação formal da Nani Holdings [Lone Star] a qual foi comunicada igualmente aos restantes acionistas, Fundo de Resolução e o Estado Português, através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, para iniciar um processo de oferta pública das ações do Banco (“IPO”), nos termos do acordo de acionistas”, lê-se no comunicado,

A oferta será trabalhada “nos próximos meses”, diz, sem especificar calendário. Porém, numa carta aos trabalhadores, o presidente do banco aponta para a possibilidade de o IPO ocorrer em junho ou em setembro.

Este é um marco importante e o tiro de partida oficial para uma jornada que temos vindo a preparar ao longo dos últimos dois anos”, afirma Mark Bourke.

“Embora este seja um passo importante, o timing efetivo do IPO está ainda dependente das condições do mercado”, acrescenta o gestor, indicando que “se as condições forem favoráveis, as janelas de mercado prováveis são o final do segundo trimestre ou o final do terceiro trimestre deste ano“.

Em qualquer caso, o nosso objetivo continua a ser o de estarmos totalmente preparados e registarmos um desempenho sólido trimestre após trimestre”, acrescenta o gestor.

Segundo noticiou a Bloomberg na noite de quarta-feira, o Novo Banco selecionou o Bank of America, o Deutsche Bank e o JPMorgan Chase para esses trabalhos preparativos para a entrada em bolsa do banco.

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A gestão do Novo Banco, liderada pelo irlandês Mark Bourke, há muito tornou pública a intenção de preparar o banco para o cenário de venda de parte do capital. E o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, também já tinha dado a indicação de que a Lone Star pretendia fazer uma Oferta Pública de Venda (OPV) sobre cerca de 25% a 30% do capital do Novo Banco (e não da totalidade da participação).

Esta oferta só é possível depois de ter sido encerrado o acordo de capital contingente com o Fundo de Resolução, o que aconteceu em dezembro.

Novo Banco. Lone Star prescinde de dezenas de milhões para sacar dividendo (para si e para o Estado) e acelerar venda do banco

Além da venda, o Novo Banco prepara-se para pagar um dividendo extraordinário, com libertação de reservas, que dará ao Estado cerca de 300 milhões (e quase mil milhões ao Lone Star, tanto quanto o fundo pagou pelos 75% do banco em 2017). A venda de parte do capital do banco na bolsa poderá ser feita a um preço que, numa extrapolação, poderá avaliar a totalidade da instituição em cerca de cinco mil milhões de euros.

O JB Capital, numa nota enviada esta quinta-feira aos clientes, avalia o Novo Banco entre 4,8 mil milhões e 6,2 mil milhões de euros e assumindo que entrega 1,3 mil milhões de dividendos antes da transação, mas sem ter em conta os 500 milhões de ativos por impostos diferidos adicionais. “Usamos a metodologia que aplicamos aos bancos ibéricos associando-os a múltiplos de mercado”, indica a mesma nota.

Fundo que comprou Novo Banco prepara venda (em bolsa) pelo quádruplo. Antes, Estado pode receber dividendo de centenas de milhões