Depois da tormenta chamada Fóia, chegou a calma de Tavira… ou talvez não. Que o diga Iúri Leitão. A terceira etapa da Volta ao Algarve perspetivava-se calma devido ao perfil plano, mas a aproximação reta da meta, já em Tavira, foi marcada pelo caos. Na penúltima curva houve uma queda na parte da frente do pelotão e o português da Caja Rural-Seguros RGA) acabou por ser projetado contra um muro e uma valeta. Já este sábado, foi obrigado a abandonar a prova, com mazelas numa mão. Quem acabou por aproveitar a ida ao sotavento algarvio foi Jordi Meeus (Red Bull-Bora-hansgrohe), que venceu pela primeira vez em 2025 e assumiu a liderança da classificação por pontos.

Iúri Leitão desiste da Volta ao Algarve após queda na terceira etapa

“Oficialmente, é a primeira vitória da temporada, por isso estou muito contente por ir para casa com o triunfo. Senti-me bastante bem e sabia que a chegada me favorecia, com a pequena inclinação final. Foi uma questão de timing, consegui entrar bem colocado na última viragem, e lancei o sprint na perfeição. Estou muito satisfeito com as sensações, com as pernas e por ter conseguido concluir o excelente trabalho dos meus colegas. Todos [os colegas] estiveram bastante dedicados. Tínhamos objetivos bem definidos quando viemos para cá: por um lado, lutar pela geral com o Primoz [Roglic] e, por outro, lutar pelos sprints comigo. Penso que os dois grupos trabalham juntos na perfeição e, de qualquer maneira, temos de levar o Primoz em segurança até aos últimos três quilómetros [onde as diferenças não contam em caso de queda]”, explicou o belga.

Para este sábado estava guardada uma ligação entre Albufeira e Faro, em mais uma etapa com chegada prevista ao sprint, embora o percurso traiçoeiro pudesse deixar antever outro final, com três contagens de montanha nos últimos 60 quilómetros. Antes, German Tivani (Aviludo-Louletano-Loulé) integrou a fuga do dia, com Warre Vangheluwe (Soudal Quick-Step), Johan Jacobs (Groupama-FDJ) e Gorka Sorarrain (Caja Rural), e deu a estocada final na conquista da camisola da montanha na primeira incursão pelo Malhão. A cerca de 100 quilómetros do fim, Afonso Eulálio atacou com o companheiro Vlad Van Mechelen (Bahrain-Victorious), o que obrigou o pelotão a aumentar a perseguição.

A dupla viria a ser alcançada no início da subida da Picota, que voltou a ter Tivani a passar em primeiro no alto, confirmando ser o sucessor de Daniel Martínez (Red Bull), precisando apenas de terminar o contrarrelógio deste domingo. Com Visma-Lease a Bike, Red Bull e Intermarché-Wanty no comando do pelotão, a vantagem para a fuga decresceu paulatinamente. Na derradeira subida do dia, Tiesj Benoot (Visma) endureceu a corrida, com Jonas Vingegaard na sua roda, e depressa alcançaram o quarteto. Na parte final, o dinamarquês furou uma das rodas, já dentro dos três quilómetros de proteção. O sprint foi lançado por Biniam Girmay (Intermarché), mas o eritreu não teve ponta final para acompanhar Milan Fretin (Cofidis), que bateu Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) e Jordi Meeus, para somar a segunda vitória da temporada.

No que respeita à geral, as contas mantiveram-se intactas, com Jan Christen (UAE Team Emirates-XRG) a partir para a última etapa com quatro segundos de vantagem para João Almeida e 20 para António Morgado, seus companheiros de equipa. Na terceira posição está Laurens De Plus (Ineos), a 13 segundos. Assim, as contas finais desta Volta ao Algarve vão fazer-se no alto do Malhão, num inédito contrarrelógio com final em alto.