“Porque não sonhar? O sonha comanda a vida”. Era desta forma que João Almeida, há cerca de uma semana, abordava uma possível vitória na Volta ao Algarve. Em entrevista à revista Sábado, o ciclista português não deixava de ser “realista”, lembrando que Jonas Vingegaard também estava no pelotão, mas continuava a apontar para o topo. “Desde que esteja na discussão da corrida, e ali no pódio, já fico satisfeito. Mas vamos dar o nosso melhor para tentar vencer”, garantiu.

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Este domingo, no derradeiro contrarrelógio que decidia o sucessor de Remco Evenepoel, a verdade é que João Almeida podia mesmo permitir-se a sonhar. O ciclista da UAE Emirates entrava para a última etapa no segundo lugar da classificação geral, a quatro segundos do camisola amarela Jan Christen, e contava com a sempre relativa vantagem de ser um especialista no tempo cronometrado.

Ainda assim, a Volta ao Algarve entrava para a última etapa com a corrida pela vitória totalmente em aberto: Laurens de Plus era terceiro a sete segundos de Jan Christen, o jovem português António Morgado era quarto, a 14 segundos, e era preciso não esquecer o próprio Jonas Vingegaard e Primoz Roglic, sexto e sétimo, a 20 e 23 segundos.

Depois da vitória de Milan Fretin na penúltima etapa, em Faro, a Volta ao Algarve terminava com um inédito contrarrelógio de 19,6 quilómetros entre Salir e o Alto do Malhão, com destaque para uma autêntica escalada de 2,6 quilómetros até ao ponto mais alto de Loulé, classificada como uma contagem de segunda categoria, que iria claramente ser decisiva para o vencedor final da competição.

Wout van Aert foi o primeiro a estabelecer o melhor tempo, tornando-se o homem a bater, e Primoz Roglic tornou-se o primeiro dos candidatos a autoexcluir-se da vitória final com um registo bem abaixo do esperado. Em sentido contrário, Jonas Vingegaard voou na subida e foi o primeiro a superar Van Aert, recuperando 27 segundos do segundo ponto intermédio até à meta e dando um passo de gigante rumo à conquista da Volta ao Algarve.

João Almeida ficou a 31 segundos de Jonas Vingegaard, registando o sexto melhor tempo, e Jan Christen ofereceu ao dinamarquês a primeira grande vitória da temporada ao passar pela meta a mais de um minuto do líder. O ciclista de 28 anos da Team Visma-Lease a Bike conquistou a Volta ao Algarve pela primeira vez, juntando o troféu ao Tour de 2022 e 2023 que também ganhou e superando o 2.º lugar alcançado no Tirreno-Adriático (2022), na Volta ao País Basco (2021) e no Critérium du Dauphiné (2022).

Jonas Vingegaard terminou o contrarrelógio em 28 minutos e 25 segundos, com Wout van Aert e Antonio Tiberi a ficarem no pódio da última etapa, com mais 11 e 15 segundos. Com o tal sexto melhor tempo, João Almeida garantiu o segundo lugar da classificação geral, seguido de Laurens de Plus, enquanto que Jan Christen acabou mesmo por cair do pódio e aterrar em 10.º depois de ter começado o dia com a camisola amarela. António Morgado, que foi 28.º no contrarrelógio, terminou a Volta ao Algarve em 11.º.