Desenhos, gravuras e fotografias de Winston Churchill foram retiradas de gabinetes no parlamento do Reino Unido, no seguimento da vitória do Partido Trabalhista em julho de 2024, avança o The Telegraph. Os motivos para esta reorganização de decoração não são conhecidos, mas, segundo o jornal britânico, vários think tanks britânicos apontam para uma revisão do “legado imperialista e racista” do primeiro-ministro que liderou o país durante a Segunda Guerra Mundial.
De acordo com a imprensa britânica, várias figuras históricas do país têm sido alvo de análises retroativas às suas crenças políticas, ideologias e contexto biográfico, resultando na remoção de quadros e imagens de sedes executivas do país. A responsabilidade atribuída a Churchill pela fome de 1943 em Bengala, que poderá ter matado quase quatro milhões de pessoas na Índia, junta-se ao “apoiante de escravatura” Oliver Cromwell e ao “colonialista” Duque de Wellington.
Um porta-voz parlamentar diz que existem “movimentos regulares” das mais de 26 mil obras que compõem a coleção de arte do parlamento do Reino Unido, que existem “trabalhos de manutenção e conservação” frequentes e “mudanças na ocupação dos gabinetes”.
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Na sequência dos protestos internacionais do movimento “Black Lives Matter”, em 2020, foi feita uma auditoria a esta coleção, para verificar possíveis associações racistas, de apoio à escravatura ou a qualquer tipo de opressão de minorias étnicas presentes nas peças. Foi levada a cabo pelo comité consultivo do speaker [presidente da câmara baixa do parlamento] para as obras de arte, e resultou num dossier que assinalava as figuras declaradas como “polémicas”.
Entre elas Oliver Cromwell, dito como um “apoiante da escravatura, com interesses familiares ou financeiros no comércio transatlântico de escravos” ou William Gladstone e Lord Liverpool, dois primeiros-ministros que também tinham associações semelhantes à escravatura. Estes três políticos históricos tiveram vários retratos removidos de diferentes localizações no parlamento.
Continuam, no entanto, a existir várias estátuas e pinturas de Winston Churchill e outros antigo líderes britânicos no Palácio de Westminster, que não está sujeito às mesmas escolhas individuais que um gabinete, cuja ocupação varia frequentemente. O The Telegraph nota, também, que a disposição e localização das obras de arte da coleção parlamentar na câmara dos deputados é administrada por uma equipa dedicada ao tema, não pelos deputados em si.