O Bloco de Esquerda fez contas, apontou o dedo a sete governantes com imobiliárias e voltou a falar depois de três deles terem desmentido. Mariana Mortágua agradece a “correção” desses três — que entretanto passaram a quatro –, não retira as acusações que fez e garante que “a conclusão política mantém-se“: “Um Governo que olha para o imobiliário do ponto de vista das empresas imobiliárias tem um conflito com a habitação”.
Na lista apresentada pelo Bloco esta terça-feira estavam a ministra da Cultura, o secretário de Estado da mesma pasta e ainda a secretária de Estado da Habitação e foram estes que desmentiram ligações a empresas imobiliárias. A ministra Dalila Rodrigues explicou que antes de tomar posse cedeu a quota na sociedade de prestação de serviços na área de arquitetura, o secretário de Estado Alberto Santos diz que fez o mesmo que a ministra e a secretária de Estado Patrícia Gonçalves Costa garantiu que já tinha feito a desvinculação de uma sociedade também ligada a arquitetura (sua área de formação) há mais de cinco anos.
O esclarecimento dos governantes não fez Mortágua recuar, acabando apenas por registar e agradecer a “transparência” e dizendo não ter “razões para desconfiar” do que disseram. Mas mantém que o Governo sofre de um problema na relação com a área da habitação, ao afirmar que “há um conflito entre quem quer rendas mais baixas e quem quer comprar casa e não consegue e quem quer o aumento dos preços”.
“Há uma prevalência de interesses imobiliários e quem olha para a habitação do ponto de vista do imobiliário não é quem precisa de pagar uma renda ou quer comprar uma casa”, declarou no Parlamento aos jornalistas, em declarações transmitidas em direto pela RTP 3.
Além disso, a líder do BE insiste que há questões que “são legais”, apontando o caso de Hernâni Dias, o único a demitir-se por ter constituído uma duas sociedades ligadas ao imobiliário quando tinha estado na frente de alterações à lei dos solos, e também o caso do ministro Castro Almeida, “que fez ajustes diretos com o seu sócio”, “é de uma gravidade enorme”, apontou a deputada.
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