Andrew e Tristan Tate, dois irmãos norte-americanos acusados na Roménia dos crimes de violação e tráfico humano, terão voado para os EUA a bordo de um jato privado, segundo a BBC – com a Agence France Presse (AFP) a confirmar a mesma informação. De acordo com a televisão britânica, os dois irmãos terão voado pouco depois das 5 da manhã, hora local, a partir do aeroporto de Baneasa. Chegaram durante a tarde ao aeroporto da cidade de Fort Lauderdale, na Florida. O Ministério Público romeno já salientou, no entanto, que os irmãos terão de voltar ao país no futuro, à medida que decorre a investigação.
“Vivemos numa sociedade democrática na qual somos inocentes até que se prove o contrário. O meu irmão e eu somos muito incompreendidos. Há muitas opiniões sobre nós, muita coisa a circular na internet sobre nós”, disse Andrew Tate numa primeira declaração aos jornalistas ao chegar a solo norte-americano.
“Ainda não fomos condenados por nenhum crime nas nossas vidas”, sublinhou. Defendeu também que é “extremamente importante” parar a “manipulação dos media, as difamações e mentiras”, bem como as narrativas “que tentam destruir a reputação de pessoas boas que não têm outra intenção senão cumprir a lei.”
O Ministério Público, em comunicado citado pela BBC, notou que Andrew e Tristan Tate continuam sob investigação, o caso não foi arquivado e a expectativa é que ambos regressem à Roménia mais à frente, previsivelmente no final de março. A única alteração no processo, esclarece-se, é que foi aceitado o pedido feito pelos advogados dos irmãos, que têm nacionalidade norte-americana e britânica, para que os dois pudessem sair do país com o compromisso de voltar quando fosse necessário.
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“Em relação a estes dois arguidos, indivíduos portadores de dupla nacionalidade, norte-americana e britânica, que se encontram sob tutela judicial nos processos-crime investigados pela DIICOT – Estrutura Central, prestamos o seguinte esclarecimento: o pedido de revogação da medida cautelar de tutela judicial foi indeferido, mantendo-se a mesma em ambos os casos em que corre a ação penal”, referem os procuradores no comunicado emitido nesta quinta-feira.
Em janeiro, um tribunal romeno levantou a ordem de prisão domiciliária contra Andrew Tate, substituindo-a por uma medida mais leve, enquanto se aguarda pelo resultado de uma investigação criminal. A decisão foi tomada porque, nesta fase, há “falta de provas”.
Ainda assim, nos termos desta medida de coação mais leve, de termo de identidade e residência, Tate estava obrigado a apresentar-se à polícia com regularidade e não podia contactar outros suspeitos ou testemunhas do caso. Também estava, como é comum nesta medida de coação, impedido de sair do país.
Na semana passada, foi noticiado que os EUA tinham pedido a Bucareste que os passaportes dos irmãos, com um gigantesco número de seguidores nas redes sociais, fossem devolvidos para que estes pudessem viajar para território norte-americano (enquanto aguardam a conclusão do processo penal contra si). Os dois estão acusados de formação de grupo criminoso organizado, tráfico de menores, relações sexuais com menor e, ainda, branqueamento de capitais.
Segundo o Financial Times, vários funcionários da administração Trump começaram a abordar o governo romeno para discutir o caso destes irmãos, que têm dupla nacionalidade britânica e norte-americana. Na chegada à Florida, os irmãos foram questionados pelos jornalistas sobre o assunto, mas não teceram quaisquer comentários.
O próprio Presidente norte-americano foi questionado sobre o assunto durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro britânico. “Não sei nada sobre isso”, disse apenas Donald Trump. Já Keir Starmer garantiu que vai acompanhar a história, sublinhando que “é importante que se faça justiça.”
No início do mês, Richard Grenell, que é o enviado especial do Presidente para missões especiais dos EUA, acusou a equipa de Joe Biden de ter dispensado dinheiro dos contribuintes americanos para “apoiar programas e candidatos de esquerda em todo o mundo”.
“Os conservadores de todo o mundo foram visados”, garantiu no X, enquanto partilhava uma publicação que servia de resposta ao próprio Andrew Tate, um apoiante de Trump, sobre o alegado financiamento americano à Roménia, quando os democratas estavam no poder, e um suposto apoio à chamada “agenda woke”.
Há vários anos que a presença online de Andrew Tate se faz notar por todo o mundo. O autodenominado influencer criava conteúdo em massa sobre teorias que promovem a superioridade masculina e rejeitam o feminismo, sendo o mesmo dirigido a rapazes jovens.
A influência online de Tate e do irmão não se dissipou com a revelação dos crimes pelos quais estão acusados — não só na Roménia mas também no Reino Unido — e ganhou especial força durante a campanha presidencial norte-americana para as recentes eleições das quais Donald Trump saiu vitorioso.