Centenas de pessoas manifestaram-se esta manhã em diversas cidades da Grécia, a exigir respostas por um acidente ferroviário ocorrido em 2023 no qual morreram 57 pessoas. Em Atenas o protesto escalou para um conflito com as forças policiais, na Praça Syntagma, em frente ao Parlamento grego. Os manifestantes arremessaram pedras e cocktails molotov contra a polícia e houve focos de incêndio. De acordo com a Sky News, a polícia respondeu com gás lacrimogénio para conter os manifestantes. Paragens de autocarros e lojas tinham sido protegidas, mas também foram alvo de violência por parte dos manifestantes, que terão posto fogo em caixotes de lixo. Até agora 120 pessoas terão sido presas em Atenas, avança a estação grega ERT. De acordo com a imprensa grega, a situação em Atenas começou a normalizar por volta das 17h locais (15h em Lisboa).

De acordo com a mesma publicação, a chefe do serviço de urgência de Attica, Olga Beloura, informou que desde às 11h locais 29 cidadãos chegaram a hospitais da região com ferimentos ligeiros ou problemas respiratórios. Destes, 18 são homens e 12 são mulheres. Anteriormente, o porta-voz dos serviços de urgência gregos, Socrates Doukas, citado pelo jornal grego Kathimerini, confirmou “episódios de desmaios principalmente na praça Syntagma, mas também cidadãos com problemas respiratórios que as equipas externas trataram no local”.

Antes do conflito à porta do parlamento, um grupo de manifestantes encapuzados terá ateado fogo a objetos em frente ao hotel Great Britain, onde carregavam faixas com frases que incluíam a palavra “raiva”, conforme publica o jornal grego ERT. O dono de um quiosque ficou ferido e foi transportado pela polícia para uma localização segura até a chegada da ambulância e haverá outros feridos e episódios de desmaios, de acordo com a mesma publicação.

Depois das primeiras notícias sobre os incidentes ocorridos durante as manifestações, o Movimento Socialista Pan-helénico (PASOK) reagiu através de um comunicado emitido pelo escritório de imprensa do partido. “Os incidentes violentos de homens encapuzados, que também atacaram os cidadãos reunidos (como mostram vários vídeos), não mancham os magníficos protestos por toda a Grécia e o pedido universal por verdade e justiça”.

O protesto já estava agendado e movimentações haviam sido planeadas para outras cidades gregas, como Thessaloniki, onde também foram registados incidentes, com pessoas a atirarem objetos e pedras contra a polícia, perto do terminal de autocarros da cidade.

Os manifestantes exigem respostas sobre um acidente ferroviário que resultou na morte de 57 pessoas em 2023. O choque frontal entre os dois comboios, que aconteceu a 28 e fevereiro de 2023, foi o mais grave acidente ferroviário na Grécia, tendo provocado também ferimentos em mais de uma centena de pessoas. Funcionários da empresa ferroviária estatal OSE foram acusados, incluindo o chefe da estação, que admitiu ao Ministério Público que colocou o comboio de passageiros na mesma via que um comboio de mercadorias que vinha na direção oposta. Entretanto as investigações ainda decorrem, e ninguém foi formalmente responsabilizados. Na altura, o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, assumiu a responsabilidade política pelo acidente e reconheceu que não havia medidas de segurança no troço onde ocorreu o desastre que o pudessem te-lo evitado. Na sequência do acidente, milhares de pessoas foram às ruas em diversas cidades gregas para para exigir justiça e denunciar as políticas de privatização no setor ferroviário.

Ainda antes do início das manifestações, na manhã desta sexta-feira, o primeiro-ministro grego, Kyriákos Mitsotákis, assinalou os dois anos desde o acidente num comunicado publicado no X. “Erros humanos fatais resultantes de anos de falhas do estado irromperam violentamente, trazendo incertezas trágicas. Nada será como antes”, disse o chefe do governo grego. “Todos homens e mulheres gregos partilham o luto, unidos pela verdade e transparência: uma redenção moral que apenas a justiça independente consegue oferecer”, escreveu ainda.

“É por este motivo que a maioria dos cidadãos, seja a protestar ou em homenagem às vítimas, concorda que este desastre nunca mais deve voltar a acontecer. Devemos fazer o possível para prevenir”, destaca o primeiro-ministro, que concluiu afirmando que o governo está a “acelerar o trabalho” para que a Grécia tenha “comboios mais modernos e seguros”.